22 de outubro de 2021
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Eleições

Bernal depende de PDT para tentativa de frear avanço de Marquinhos

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As recentes pesquisas de intenção de voto registradas na Justiça Eleitoral e divulgadas pela mídia de Campo Grande indicam que a tendência da disputa de outubro é confirmar a liderança do deputado estadual Marquinhos Trad (PSD) no primeiro turno e remeter para a briga pelo segundo lugar o prefeito Alcide Bernal (PP) e a vice-governadora Rose Modesto (PSDB). Um azarão, o deputado federal Dagoberto Nogueira (PDT) corre por fora, mas seu potencial de crescimento eleitoral já é suficiente para, no mínimo, transformá-lo em força decisiva nos resultados finais.

Não há maior razão que esta para o interesse cada vez mais angustiado de Bernal em ter consigo o PDT. Além das fortes relações de amizade e políticas com lideranças trabalhistas como o seu ex-secretário de Governo, o ex-vereador Paulo Pedra, e a benemérita Tereza Name, que é também ex-vereadora, o prefeito sabe que o isolamento onde mergulhou vai torná-lo refém de alianças mais fortes que as disponíveis no momento.

Bernal patina tentando recuperar o terreno que perdeu na base popular. Por conta do desastre de sua performance gerencial, caiu num cenário contraditório e perigoso para quem pensa em reeleição. Mesmo conservando expressiva inserção social graças ao apelo populista e emocional de uma imagem que capricha na vitimização, o prefeito não desconhece que sua avaliação administrativa está muito aquém do necessário para entrar como favorito nesta eleição.

Sem boa parte das forças sociais e dos partidos que o levaram à vitória em 2012, afastados por conta de seu comportamento dispersivo e centralizador ou assustados com o tamanho do desgoverno, Bernal é hoje um prefeito que resiste eleitoralmente, mas sucumbe politicamente. Enquanto isso, seus concorrentes diretos seguem acumulando munição e aliados. Marquinhos cai nas graças de um sortido e estimulante leque de forças partidárias, como o PHS, o PMN e o PEN, no bloco intermediário, e o PTB, entre outros, no campo das siglas tradicionais.

Ao fazer as contas possíveis nesse período que precede o arranjo das convenções, Bernal agarra-se às mãos que, acredita, podem livrá-lo do afogamento político, não permitindo que Marquinhos se distancie demais na dianteira e nem que Rose se aproxime. E essas mãos hoje seriam as do PDT, desde que o deputado Dagoberto Nogueira não consiga viabilizar estrutural e politicamente sua própria candidatura.

Há outras, porém poucas, opções para Bernal, que já perdeu e vez o PT e o PSB. A vereadora Luiza Ribeiro é muito simpática a uma aliança com Bernal, algo improvável. O partido de Luiza, o PPS, já tem um pré-candidato lançado, o ex-vereador e ex-secretário de Cultura, Athayde Nery Jr. E se o PPS desistir do voo-solo, o “Plano B” será, pela lógica, turbinar a candidatura da tucana Rose Modesto, tendo em vista os sólios compromissos e ligações com o governador Reinaldo Azambuja e o PSDB.