23 de janeiro de 2021
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Bernal pede para adiar julgamento no STJ para convencer, pessoalmente, ministro de sua inocência

"Precisamos conversar com mais ministros para protocolar nossas lutas e eu ainda não tive a oportunidade de conversar com ele (Ministro Félix Fischer)". Esta foi a explicação do ex-prefeito de Campo Grande Alcides Bernal (PP) sobre o motivo pelo qual seu advogado Jesus de Oliveira Sobrinho solicitou ontem em Brasília o adiamento de julgamento de seu recurso que está em trâmite no STJ (Superior Tribunal de Justiça).

Segundo Bernal, ele pretende ir a Brasília para conversar pessoalmente com o ministro Félix Fisher, presidente do STJ, que também é o relator do processo. O ex-prefeito tenta desta forma, incomum na justiça, convencer os ministros do STJ sobre sua tese de que ele foi vítima de um golpe político. Com esta manobra, Bernal ganhou duas semanas, pois o julgamento do processo foi aiado para próxima sessão do dia 21 de maio.

Não se sabe ao certo qual a liberdade que Bernal possui para com os ministros do STJ ao ponto de considerar a possibilidade de uma conversa pessoal com o presidente do órgão, mas caso Fischer decida receber Bernal, ele estaria agindo e forma, no mínimo, estranha e fora dos padrões do comportamento de uma autoridade como o presidente do STJ.

O ex-prefeito, com esta atitude mostra mais uma vez traços de seu comportamento único. Poucos minutos depois de anunciar que pretende convencer pessoalmente o ministro Félix Fisher sobre sua inocência diante das irregularidades comprovadamente praticadas por ele à frente da prefeitura de Campo Grande, ele afirma que Fischer foi "contatado pela turma de Olarte" para deferir o recurso que permitiu a retomada dos trabalhos da Comissão Processante que culminou em sua cassação.

"O Félix Fisher, que a turma de Olarte contatou, entendeu na época que a suspensão da Comissão Processante estava suspendendo também o  trabalho da Câmara Municipal, mas a Processante não travava a pauta, mas ele entendeu que deveria deferir pela retomada do trabalho da Câmara e por consequente da Comissão Processante", explicou Bernal, que pretende expor este entendimento pessoal ao ministro e fazê-lo mudar da ideia a respeito de sua decisão anterior.

O comportamento do ex-prefeito mostra que ele é um homem de luta, pois ele retornar para prefeitura mesmo diante de novas denúncias acerca de sua administração, como a divulgada hoje, de que Bernal não organizou as contas da prefeitura e não deixou a reserva orçamentária suficiente para efetuar o pagamento do décimo terceiro salário dos servidores municipais do ano de 2014. Diante de tudo isso, será que Bernal conseguirá convencer Fischer de que ele não cometeu irregularidades? De que ele não causou danos ao erário público e aos servidores e à população de Campo Grande?

Heloísa Lazarini