20 de abril de 2021
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GOVERNO BOLSONARO

Bolsonaro afagou radicais antes de "acertar a cabeça" do aliado pedida pelo Centrão

"Não se pode atirar na cabeça de um aliado", disse o ex-ministro alegando que Ramos pediu sua cabeça ao 'PR'

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A mensagem enviada por Marcelo Álvaro, ex-ministro de Jair Bolsonaro, demitido nesta 4ª-feira (9.dez.2020) traz à tona a queda visível na agenda radical do governo bolsonarista. No mesmo dia em que aprovou o fim de impostos para armas, Bolsonaro golpeou seus seguidores radicais com a demissão do ministro do Turismo, que segundo fontes do planalto, já vinha sendo tratada há alguns dias, mesmo antes da mensagem ser enviada ao grupo de ministros nessa manhã.

A CNN teve acesso a mensagem enviada pelo ex-ministro do turismo, o MS Notícias recortou trechos da mensagem que denotam a insatisfação de Marcelo devido aos “bolsonaristas radicais” estarem sendo criticados pelo ministro o chefe da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, responsável pela articulação política do Palácio do Planalto.  “(sic)Ministro Ramos, sinceramente não sei onde o Sr estava nos anos 2016, 2017, 2018... Mas eu, junto ao Ministro Onix e outros membros do governo, já estava na Câmara do Deputados articulando em favor da então candidatura do Presidente JB (em um momento que quase ninguém acreditava na eleição dele). Na ocasião da campanha, percorri TODAS as regiões do estado de MG de carro para organizar as ações da campanha, dormindo na maioria das vezes 4 / 5 horas por noite, levando as pessoas a minoria a acreditar que precisávamos dele para mudar o Brasil (a maioria naquele momento já acreditava). Quem estava na campanha eram os conservadores que hoje o senhor ataca sem parar, de forma covarde”, introduziu o ex-ministro do Turismo. 

Segundo a avaliação de Marcelo Álvaro, 2019 foi melhor ano do ministério do Turismo, com ele à frente do ministério. 

Nos apontamentos seguintes na mensagem Marcelo elenca alguns dados dos quais ele diz ter. Apesar de tudo, nenhum dos dados apresentados reflete os impactos das queimadas, invasão do Garimpo ilegal na Amazônia, entre outras ações, negativas, omitidas por Marcelo.  “(sic)Enfim, dito isso, não me admira o Sr Ministro Ramos ir ao PR pedir minha cabeça, a entrega do Ministério do Turismo ao Centrão para obter êxito na eleição da Câmara dos Deputados. Ministro Ramos, o Sr entra na sala do PR comemorando algumas aprovações insignificantes no Congresso, mas não diz o ALTÍSSIMO PREÇO que tem custado, conheço de parlamento, o nosso governo paga um preço de aprovações de matérias NUNCA VISTO ANTES NA HISTÓRIA, e ainda assim (na minha avaliação), não temos uma base sólida no Congresso Nacional, (tanto que o Sr pede minha cabeça pra tentar resolver as eleições do parlamento, ironia, pede minha cabeça pra suprir sua própria deficiência”, atacou Álvaro em tom de revolta com o colega. 

“Nem por isso Ministro Ramos, fui ao PR pra dizer que o Sr não capacidade pra atuar em tal função, AO CONTRÁRIO, várias vezes ofereci ajuda pra que o Sr tivesse êxito em suas atribuições (ex: Contratação do Carlos Henrique, abrindo espaços no MTur)”, continuou.

“SOMOS UM TIME PELO BRASIL, o Sr deveria ter aprendido na sua própria formação militar que não se joga um companheiro de guerra aos inimigos, não se pode atirar na cabeça de um aliado... Ministro Ramos, o Sr é exemplo de tudo que não quero me tornar na vida, quero chegar ao fim da minha jornada EXATAMENTE como meus pais me ensinaram, LEAL aos meus companheiros e não um traíra como o senhor”, finalizou. 

Ao que tudo indica, a transação de Ramos com o Centrão correu bem e Marcelo Álvaro se torna o 13º aliado descartado por Bolsonaro.