27 de novembro de 2020
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LEI SÓ VALE PARA UM LADO

Bolsonaro aplaude a PF contra Witzel, mas critica operação contra aliados

"Acabou, porra", disso Bolsonaro em ameaça ao STF após ação contra milícia virtual que propaga fake news

O presidente Jair Bolsonaro parabenizou a Polícia Federal na terça-feira (26.maio) e riu ao ouvir um comentário de um apoiador a respeito da operação que teve o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, entre os alvos. A Operação Placebo, que apura desvios de verbas que deveriam ser usadas no combate à pandemia do coronavírus. No entanto, quando o Supremo Tribunal Federal, autorizou ontem (27.maio), buscas e apressão contra aliados de Bolsonaro, que são alvos em operação da PF que apura fake news e ataques contra ministros da Corte, Jair Bolsonaro reagiu raivosamente nesta 5ªfeira (28.maio) e disse que os investigados — que são seus apoiadores — não são "bandidos". Mesmo que esses tenham divulgado inúmeras fake news, ainda assim, não são criminosos, mesmo fake news sendo crime.  

— Não são bandidos, não são marginais, não são traficantes. Muito pelo contrário — disse Bolsonaro, na saída do Palácio da Alvorada.

Bolsonaro afirmou que foi um "dia triste", mas disse que será o "último".

— Mais um dia triste na nossa história. Mas o povo tenha certeza, foi o último dia triste — disse o presidente, acrescentando depois: — Repito, não teremos outro dia igual ontem. Chega. Chegamos no limite. Estou com as armas da democracia na mão. Eu honro o juramento que fiz quando assumi a presidência da República.

O presiente ataca o ministro Alexandre de Moraes que autorizou a operação da PF nesta quarta-feira (27.maio) que colocou deputados, blogueiros e empresários bolsonaristas na mira do Supremo. Irritado com a operação autorizada pelo STF que atingiu deputados da base e apoiadores, o presidente reuniu ministros nesta quarta-feira para definir uma reação à corte.

Bolsonaro disse nesta manhã que não irá admitir decisões tomadas de forma "quase que pessoal". Moraes também suspendeu a nomeação de Alexadre Ramagem para a direção-geral da Polícia (PF), outra decisão criticada fortemente por Bolsonaro. 

— Acabou, porra. Me desculpe o desabafo. Acabou. Não dá para admitir mais atitudes de certas pessoas, tomando de forma quase que pessoal certas ações. Ele foi aplaudido pelos apoiadores do cercadinho em frente ao Palácio da Alvorada.  

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Bolsonaro disse que o "gabinete do ódio", citado na decisão de Moraes, foi inventado e que um processo não pode ser aberto a partir de um "factoide". O nome se refere a um grupo de assessor da Presidência que supostamente participaria de um esquema de divulgação de ataques e notícias falsas.

— Inventaram o nome gabinete do ódio, alguns acreditaram e outros foram além, abrir processo no tocante a isso. Não pode um processo começar em cima de um factoide.

O presidente também criticou o ministro Celso de Mello por ter divulgado quase na íntegra a reunião ministerial do 22 de abril. Citando a lei de abuso de autoridade, Bolsonaro disse que "o criminoso não é" o ministro da Educação, Abraham Weintraub, ou o do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que tiveram falas na reunião criticadas. 

— A responsabilidade do que tornou-se público não é de nenhum ministro (do governo), é do ministro Celso de Mello. Eu peço pelo amor de Deus, não prossiga com esse tipo de inquérito, a não ser pela lei de abuso de autoridade, que está bem claro, que (infringe a lei) quem divulga vídeos, imagens ou áudios do que não interesse do inquérito. Está lá, um a quatro anos de detenção. O criminoso não é o Weintraub, não é o Salles, não é nenhum de nós. A responsabilidade de tornar público aquilo é de quem suspendeu o sigilo.

Bolsonaro disse estar à "disposição" para conversar com os presidentes dos outros Poderes e afirmou querer "paz".

— Estou à disposição para conversar hoje com o senhor Fux, que responde interinamente pelo Supremo, Davi Alcolumbre no Senado, Rodrigo Maia na Câmara. O que eu mais quero é paz. Tenho certeza que essas autoridades também querem isso daí.

*Com O Globo.