06 de dezembro de 2021
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GOVERNO NACIONAL

Bolsonaro assume: 'Não vou dizer que sou um excelente presidente'

Declaração vem após onda de pedidos pró-impeachment, apoiada por Amoedo e Haddad; 'derrota' para Doria na vacinação e colapso da saúde em Manaus

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Nesta 3ª feira (19.jan.2021), o presidente Jair Bolsonaro afirmou não poder dizer que é um "excelente presidente", enfrentando críticas sobre a atuação do governo federal na pandemia da Covid-19 e após o governador João Doria (PSDB) ter protagonizado o início da vacinação no Brasil. Para comprometer ainda mais o que diz o governo e seus ministérios, ontem (18.jan), Eduardo Pazuello mentiu dizendo que nunca houve a recomendação de tratamento precoce, através de cloroquina e hidroxicloroquina. Em breve interação com apoiadores, Bolsonaro também disse estar "cumprindo a missão" à frente do governo.

"Não vou dizer que sou um excelente presidente, mas tem muita gente querendo voltar o que eram os anteriores, reparou? É impressionante, estão com saudades de uma [...]", disse o presidente, em conversa com apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada, segundo informações da Folhapress.

Movidas pelo colapso da saúde em Manaus e pela reação negativa em relação ao início da vacinação no país, atualmente uma onda ofensiva de campanhas de opositores a favor do impeachment de Bolsonaro, vem crescendo no país. Ontem o presidente também acenou para sua base ideológica dizendo que "quem decide se um povo vai viver na democracia ou na ditadura são as suas Forças Armadas".

Em resposta, Hamilton Mourão, vice-presidente afirmou que as forças armadas estão despolitizadas e não comprometidas com nenhum projeto ideológico. "O presidente [Bolsonaro] já tocou nesse assunto várias vezes, é óbvio. Se você tiver forças armadas indisciplinadas ou comprometidas com projetos ideológicos, a democracia fica comprometida. Não é o caso aqui no Brasil, obviamente. Mas nós temos o nosso vizinho aí, a Venezuela, que vive uma situação dessas", disse.

Outra derrota política veio após fracassar a tentativa do governo federal de importar um lote de 2 milhões de vacinas da Oxford/AstraZeneca na Índia. Com isso, o pontapé da imunização no Brasil foi protagonizada por Doria, visto como adversário político pelo Palácio do Planalto e provável adversário em 2022. Bolsonaro já se referiu ao imunizante como "vacina chinesa", prometendo que não seria comprada pelo Ministério da Saúde. A pasta firmou contrato para a compra de 100 milhões de doses do Butantan.

ESPERANÇA DE BOLSONARO

Informações do G1 mostram que a Índia vai começar a exportar vacinas Covid-19 para seis países, sendo que nenhum é o Brasil. Em uma nota divulgada pelo governo, eles informam que serão vendidas doses para o Butão; Ilhas Maldivas; Bangladesh; Nepal; Mianmar; Ilhas Seychelles. A agência Reuters soube de fontes (com pedido de identidade preservada) que o Butão vai receber uma dose não informada de vacinas na 4ª feira (20.jan), e Bangladesh um total de 2 milhões na 5ª feira (21.jan).

Com imunizantes pelo Serum Institute of India (SII), maior fabricante mundial de vacinas, semelhante à vacina desenvolvida pela AstraZeneca em conjunto com a Universidade de Oxford, o governo indiano queria lançar a campanha em seus próprios antes de começar a vender para outros, disse uma das fontes.

Movimentos como o Vem Pra Rua e o Movimento Brasil Livre (MBL), responsáveis por encabeçarem as manifestações pró-impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), reforçaram também a pressão pela saída de Bolsonaro. João Amoêdo (Novo) e Fernando Haddad (PT), também aderiram à campanha pelo impeachment nas redes sociais.