25 de novembro de 2020
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INVESTIGAÇÃO

Bolsonaro deve ir depor na PF pessoalmente em inquérito das fakes news

A declaração do presidente Jair Bolsonaro de que 'ordens absurdas não se cumprem' atinge seus apoiadores mais radicais

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) terá que prestar depoimento pessoalmente. na Polícia Federal. Bolsonaro está sendo investigado por supostamente tentar interferir nos trabalhos da PF. 

Essa é a análise de investigadores do inquérito, que dizem não haver previsão legal para que aconteça de outra maneira.

Sendo assim, a defesa do ex-ministro Sergio Moro, que acusa o presidente de cometer o crime, poderá também participar do depoimento. 

"Eu acho que esse inquérito que tá na mão do senhor Celso de Mello vai ser arquivado. A PF vai me ouvir, estão decidindo se vai ser presencial ou por escrito, para mim tanto faz. O cara, por escrito, eu sei que ele tem segurança enorme na resposta porque não vai titubear. Ao vivo pode titubear, mas eu não estou preocupado com isso. Posso conversar presencialmente com a Polícia Federal, sem problema nenhum", disse o presidente.

ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA 

Ao autorizar a operação da Polícia Federal na semana passada, como parte do inquérito, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, entendeu que as provas colhidas no processo apontam para "real possibilidade" do crime de associação criminosa.

Segundo Moraes, essa suposta associação criminosa seria dedicada à "disseminação de notícias falsas, ataques ofensivos a diversas pessoas, às autoridades e às Instituições, dentre elas o Supremo Tribunal Federal, com flagrante conteúdo de ódio, subversão da ordem e incentivo à quebra da normalidade institucional e democrática”.

Alexandre de Moraes afirma que recebeu o relato de que “essa estrutura, aparentemente, está sendo financiada por um grupo de empresários que, conforme os indícios constantes dos autos, atuaria de maneira velada fornecendo recursos (das mais variadas formas), para os integrantes dessa organização”.

“[Há] sérias suspeitas de que integrariam esse complexo esquema de disseminação de notícias falsas por intermédio de publicações em redes sociais, atingindo um público diário de milhões de pessoas, expondo a perigo de lesão, com suas notícias ofensivas e fraudulentas, a independência dos poderes e o Estado de Direito", escreveu Moraes.

NEGADO DEPOIMENTO 

A declaração do presidente Jair Bolsonaro de que “ordens absurdas não se cumprem” atinge seus apoiadores mais radicais. Intimados a depor à Polícia Federal nesta semana, alguns alvos do inquérito que investiga uma suposta rede de fake news e de ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) disseram que não vão comparecer por não reconhecerem a legitimidade do processo contra eles.

“Eu não vou depor na Polícia Federal, porque eu considero esse inquérito inscontitucional. Eu não vou dar nenhum tipo de legitimidade a essa ação”, disse a VEJA o deputado estadual Douglas Garcia (PSL), de São Paulo. “Esse inquérito está sendo usando como factóide para perseguir aqueles que apoiam o governo Bolsonaro". Garcia é quem criou, supostamente, uma lista com 999 nomes de pessoas, com seus endereços, telefones, redes sociais e até imagens. Na qual intitula as pessoas como "terroristas", dada a suas ideologias, 'antifacistas' . A lista circula na internet, o MS Notícias denunciou a existência do documento, ontem (4.junho). VEJA AQUI.

O chefe de gabinete de Garcia, Edson Salomão, líder dos movimentos Direita SP e Brasil Conservador, também se negou a ir depor: “Ante a esse estado de ilegalidade, declaro que não posso deferir a esse procedimento do inquérito a fidalguia solicitada, uma vez que percebo, cada vez mais, a falta de reciprocidade e apreço à lei da instituição que o promove”, escreveu ele no Twitter.