19 de abril de 2021
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ELEIÇÕES 2022

Bolsonaro não conseguiu nem assinaturas para fundar partido; Lula assusta

Mudança de postura de Bolsonaro, adotando o famoso "Zé Gotinha" à sua campanha é uma tentativa desesperada de estancar a queda em sua popularidade

Na tarde da segunda-feira (8.mar.21) o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin mudou a rota do jogo político brasileiro. O Ministro anulou monocraticamente todos os processos contra o ex-presidente Lula no âmbito da Lava Jato. Se Lula decidisse lançar um novo partido agora, certamente teria apoio para concretizar, Jair Bolsonaro, porém, fracassou na criação de seu partido de estimação e agora se vê em vias de ter que correr para o colo dos pesselistas, que estão em número bastante interessante para Bolsonaro tentar levar a reeleição em 2022. 

Lula tem agora plenos direitos políticos, não está mais enquadrado na Lei da Ficha Limpa e pode ser candidato à presidência em 2022. Fachin entendeu que a 13ª Vara Federal de Curitiba não tinha competência para julgar supostos crimes cometidos fora de sua jurisdição e determinou o envio dos processos contra Lula à primeira instância da Justiça Federal de Brasília.

O primeiro passo para se criar um partido é obter a assinatura de 101 fundadores, distribuídos em pelo menos nove estados.

Em seguida, deve-se registrar a legenda no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Esse registro é provisório e se concretiza com o apoio formal da quantidade de eleitores correspondente a 0,5% dos votos dados na última eleição a toda a Câmara dos Deputados, sem os brancos e os nulos. São necessários o mínimo de 430 mil eleitores para o registro. Cumpridas ainda outras formalidades, o partido participar de eleições, receber dinheiro do fundo partidário e ocupar o horário político no rádio e na TV. Bolsonaro e sua base não conseguiram cumprir essas metas. 

Em nove meses de campanha os organizadores da legenda "Aliança pelo Barsil" só recolheram 15.762 assinaturas consideradas válidas. Ou seja, 3,2% do total necessário. Mas os bolsonaristas alegaram, ao contrário do que disse o TSE, que eles já haviam registrado pelo menos 300 mil documentos válidos em abril do ano passado, o que não conseguiram comprovar. Assim como o projeto que levou Bolsonaro a ser eleito em 2018, a presença de robôs e grande volume de compartilhamento nas redes sociais assinalam para um massivo apoio que ele teria, no entanto, esse número não se faz presente na realidade. 

A mudança de postura de Bolsonaro, adotando o famoso “Zé Gotinha” à sua campanha é uma tentativa desesperada de estancar a queda em sua popularidade. Bolsonaro ainda janta com a serpente, visto que seus aliados [o Centrão] já costuram meios de se descolar do bolsonarismo, assistindo o agigantamento de Lula.

Bolsonaro já retomou negociação para se filiar novamente ao PSL, partido pelo qual disputou o pleito em 2018, mas do qual saiu brigado um ano depois.

A avaliação clara é que a entrada de Lula no páreo tornará mais acirrada a disputa no primeiro turno e, nessas circunstâncias, tempo de televisão e fundo partidário ganham mais relevância para, segundo Bolsonaro, "combater fake news" que seriam usadas por adversários. O presidente recebeu integrantes do PSL no Palácio da Alvorada na segunda-feira (8.mar), mas isso, não contou a seus eleitores extremistas.

Recheado de processos, por inúmeras atitudes que vão de crime à honra, passando por crimes em órgão internacionais, além de filhos, também políticos na mira da Justiça, a perda das reeleições deixaria o político de carreira, Jair Bolsonaro, em péssimas condições. 

Desde que Lula recuperou os direitos políticos e especialmente após seu discurso na quarta-feira, a palavra que pesa sobre o presidente Jair Bolsonaro é pressão – não raro em sentidos contrários. Em primeiro lugar, ele busca consolidar os apoios que já tem. Demitiu Fabio Wajngarten da Secretaria de Comunicação após este entrar em choque com militares, manteve a promoção de servidores (leia-se policiais) na PEC Emergencial e confirmou em live as negociações para voltar ao PSL, que lhe ofereceria uma melhor estrutura para tentar a reeleição.

Em outra frente, largou a máscara que usara em solenidade na quarta-feira, já que apoiadores consideraram o uso um gesto de temor diante das críticas de Lula. Em reunião virtual com microempresários já apareceu, como sempre, com o rosto descoberto e criticou novamente medidas de isolamento.

Mas o súbito apoio às vacinas deve continuar. Ele já vinha sendo sugerido desde antes da fala de Lula como forma de apaziguar empresários. O setor produtivo, que continua apoiando o presidente, teme que o atraso na vacinação prejudique ainda mais a economia.

Os dois filhos mais velhos de Bolsonaro, o senador Flávio (Republicanos-RJ) e o vereador carioca Carlos (Republicanos), coordenam o disparo em massa de mensagens contra Lula nas redes sociais, com ajuda do deputado Hélio Lopes (PSL-SP).

A volta de Lula ao cenário eleitoral está fazendo o centro correr para definir um nome de baixa rejeição avesso aos extremos e evitar o fracasso dos esforços por uma frente ampla. Sem essa frente, diz uma fonte na direção do DEM, o centro ficará de fora do segundo turno.

O ex-ministro Luiz Henrique Mandeta, possível candidato do DEM, diz que o partido pode abrir mão da cabeça de chapa em nome de uma aliança mais ampla.

“O discurso de Lula ressuscitou o petismo, assustou os bolsonaristas, acordou a Faria Lima e fez abrir um sorriso nos deputados do Centrão. Os 300 deputados sempre dispostos a apoiar o governo, qualquer governo, ganharam com a volta de Lula um cenário de sonhos: um presidente que precisa de apoio para não perder a reeleição. Com Lula podendo se candidatar, o jogo eleitoral mudou. Só não mudou o fato que quanto mais instável é a política, maior é o preço do Centrão.”, disse Thomas Traumann no Poder 360.