11 de abril de 2021
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Eduardo Cunha

Câmara entra de novo em recesso semana que vem

O quinto recesso do ano na Câmara dos Deputados começa na semana que vem, assim que acabar o julgamento da cassação de Eduardo Cunha _ se é que vai haver julgamento. Desta vez, o motivo é a campanha para as eleições municipais de outubro.

A tropa de choque do ex-presidente da Câmara já se movimenta para melar a sessão marcada para o dia 12, na próxima segunda-feira. Querem a qualquer custo evitar a votação que pode deixar Cunha sem mandato e, portanto, sem foro privilegiado, e suspender seus direitos políticos por oito anos.

Os aliados de Cunha estudam dois caminhos: simplesmente faltar à sessão ou se abster de votar. Se esta estratégia não der certo, um dos líderes da tropa, Carlos Marun (PMDB-MS) vai defender uma pena mais branda para o deputado _ a suspensão do mandato por apenas seis meses, por exemplo.

Todos já pensam nas justificativas que vão apresentar aos seus eleitores para não votar pela cassação.

"Não sei ainda se venho. Não tenho vocação de juiz. O sentimento maior no PMDB é de não votar, ir para a abstenção, alegando a própria suspeição. Se sou seu amigo, como vou te julgar?", perguntou um deles ao repórter de O Globo.

Como não resta dúvida de que Eduardo Cunha tem muitos amigos na Câmara, pois ajudou a eleger sua própria bancada suprapartidária, será muito difícil a missão do novo presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de colocar 400 deputados em plenário, o número mínimo que ele acha seguro para aprovar a cassação. São necessários 257 votos dos 513 deputados para que isso aconteça.

Eduardo Cunha, que sumiu de cena durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff, está fazendo a sua parte nos bastidores. Já enviou 300 cartas pessoais aos seus amigos deputados e ainda pretende telefonar para cada um deles fazendo apelos emocionais e lembrando parcerias passadas.

As eleições municipais agora são desculpa para parar tudo, o que só ajuda Cunha. Projetos importantes do governo, como a reforma da previdência e o ajuste fiscal, provavelmente terão que esperar a volta dos deputados dos seus redutos eleitorais, no final de outubro.

Um dos aliados do deputado ameaçado de cassação nem disfarça ao antecipar sua ausência na votação: "É um bom dia para arrumar um comício...".

Comícios no dia 12 certamente não faltarão para salvar a pele de Eduardo Cunha.

Vida que segue.