21 de outubro de 2021
Campo Grande 31º 17º

Presidência Senado

Candidatura de Simone é pá de cal para enterrar o MDB

A- A+

 

Se a candidatura do alagoano Renan Calheiros - considerada a mais viável do MDB - já enfrentava sérios problemas de viabilidade política, o horizonte do partido ficou ainda mais turvo com a decisão da sulmatogrossense Simone Tebet de  se oferecer para disputar a presidência do Senado. Além de dividir os votos da legenda, Simone fortalece sobremaneira o bloco pluripartidário que se levanta para desnutrir o MDB e impedir o avanço de Calheiros.

Os emedebistas, principalmente da chamada ala histórica, já não viam com bons olhos a articulação pró-Simone crescer mais fora que dentro do partido. O PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, tem no Major Olímpio a sua ficha na mesa de apostas nessa disputa. No entanto, os bolsonaristas sabem que precisam dispor de uma alternativa confiável e ajustada aos interesses do Planalto, mas sem o carimbo ostensivo da chancela governista. 

Esta avaliação funcionou para convencer Simone a desafiar seu próprio partido. Ela avisou a Calheiros que vai concorrer à presidência, mesmo que não tenha maioria dos votos do MDB. Sua esperança reside nos votos de todos os colegas que se dispõem a fechar as portas para Renan Calheiros -  o que implica enfraquecer e aprofundar o processo de deterioração política e orgânica do MDB, reduzindo seu poder de fogo diante de legendas como o PSL, PSDB, PT, PSB, PDT, PR e o DEM.

O golpe de Simone no lombo já desgastado do seu partido tem ainda o reforço do Podemos, que lançou a candidatura do paranaense Álvaro Dias, e do DEM, que ensaia entrar no páreo com o amapaense David Alcolumbre. Um detalhe interessante neste enredo foi a conversa que Simone teve com o Major Olímpio, no mesmo dia em que telefonou a Calheiros para comunicar sua candidatura. Ela nada revelou sobre esse diálogo e sugeriu aos jornalistas que perguntassem a Olímpio. Mas é forte o rumor sobre uma possível tentativa da senadora de convencer o colega paulista a retirar-se da disputa para apoiá-la.

O fato de Renan Calheiros ter ampla maioria dos votos da bancada sugere que a senadora deveria retirar-se do processo para garantir a unidade do partido. Indócil, ela deu um recado: “Não existe a possibilidade de retirada. Sou candidata para ganhar dentro da bancada. Não sou de fazer firula”.

Emedebistas sulmatogrossenses lembram que tamanhas determinação e coragem não foram exibidas por Simone no jogo sucessório estadual. Logo após assumir o desafio de substituir o ex-governador André Puccinelli e entrar na disputa como candidata do MDB ao Governo, a senadora desistiu e deixou o partido à deriva, obrigando-o a recorrer a uma solução de emergência. Ao "amarelar" e sair de cena, Simone frustrou a militância emedebista, que via nela uma possibilidade de assegurar ao partido uma sorte melhor nas eleições.

Para não ficar fora da briga pelo governo e com a campanha em ritmo acelerado, o MDB chamou para o sacrifício o deputado estadual Júnior Mochi, presidente da Assembleia Legislativa, que já estava com a sua reeleição encaminhada. Mochi, entretanto, não foi páreo para os adversários. Nem passou do primeiro turno, ficando em terceiro lugar e ainda quase foi superado pelo candidato do PT, Humberto Amaducci. 

Este foi um dos mais vexatórios desempenhos eleitorais do MDB na sua história em Mato Grosso do Sul. Um fracasso sem precedentes, que tem expressiva parcela de seu tamanho debitado na conta de Simone Tebet. Hoje, menos pelo direito legítimo de ser candidata à presidência do Senado e mais pela insistência em atropelar um processo que desafia a unidade partidária, ela pode estar jogando uma pá de cal na sepultura do velho, bom e saudoso MDB de antigamente.