25 de setembro de 2021
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"DERRETIMENTO"

Com 300 mil mortes avizinhando, Bolsonaro passa a fazer ameaças

Enfurecido com sua queda de popularidade, Bolsonaro está em situação mais desconfortável que esteve Dilma Rousseff, nas 'mãos' do Centrão

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“Só Deus me tira daqui.” A exclamação enfurecida foi feita por Jair Bolsonaro diante de mais uma aglomeração de apoiadores na porta do Palácio da Alvorada, desta vez para celebrar os 66 anos do presidente. De máscara, Bolsonaro voltou a criticar as medidas de restrição adotadas por governadores e prefeitos e disse, em tom de ameaça: “Estão esticando a corda. Faço qualquer coisa pelo meu povo. Essa ‘qualquer coisa’ é o que está na nossa Constituição, no nosso direito de ir e vir.” O presidente sacou, ainda, outra velha ameaça. “Contem com as Forças Armadas pela democracia e pela liberdade", disse mais uma vez, no entanto militares do alto escalão já declinam das convocações de Bolsonaro.  

Assim como fizeram com Dilma Rousseff (PT), o Centrão já avalia os danos do apoio do bloco ao presidente, visto que Bolsonaro derrete nas pesquisas, não consegue unificar o país e não apresentar nenhuma ação que consiga frear o avanço da Covid-19 que engole a Economia do país, assim como mata centenas de brasileiros. A marca das 300 mil mortes que avizinha o país, deve pesar a decisão da ala que hoje apoia Bolsonaro, assim como apoiavam Dilma, que foi impeachmada.  

O país amarga a mais dolorida derrota no enfrentamento ao vírus que já vitimou 294.115 brasileiros até ontem (21.mar). Se considerado que o país registra mais de mil mortes por dia há semanas, em breve o estado brasileiro deve contabilizar lamentavelmente a perda de 300 mil brasileiros.  

A sequência de más notícias para Bolsonaro é simbolizada pela pesquisa do Datafolha segundo a qual 54% dos brasileiros consideram sua gestão da pandemia ruim ou péssima. 

Mas apesar dos fracassos na tentativa de "bancar o médico e receitar tratamento ineficazes”, na sexta-feira, o presidente telefonou para uma rádio de Camaquã, no interior do Rio Grande do Sul, para defender ao vivo a nebulização com hidroxicloroquina em pacientes com a doença.

Bolsonaro se apega a "brigas" individuais, tais como montar uma verdadeira "caça" aos seus críticos políticos, que o consideram "genocida", devido a sua paralisação ante ao avanço da doença no país o qual coordena. O cerco a críticos do governo atingiu um nome de peso na última sexta-feira (19.mar). A Polícia Federal abriu um inquérito contra o ex-governador e candidato do PDT ao Planalto Ciro Gomes. Ordem teria partido do próprio Bolsonaro, via Ministério da Justiça. Em entrevista a uma rádio, em novembro, Ciro chamou o presidente de ladrão. 

Também na sexta-feira o presidente do STF, Luiz Fux, telefonou para Bolsonaro pedindo explicações sobre as referências deste a estado de sítio ao criticar medidas de isolamento nos estados. O presidente negou que cogite adotar alguma medida do tipo.