19 de abril de 2021
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Eleições

Convenção expõe feridas internas e pode isolar PPS

Viramos um puxadinho do PSDB

Assim se expressou uma filiada do PPS campo-grandense, inconformada por fazer parte dos 94 convencionais que votaram a favor da coligação com o PP e do apoio à reeleição do prefeito Alcides Bernal. A proposta, que teve na vereadora Luiza Ribeiro sua maior e mais aguerrida defensora, acabou derrotada na Convenção de sábado passado, quando 218 votos deram à legenda e ao pré-candidato Athayde Nery de Freitas Jr a condição de lançar candidatura própria na sucessão campo-grandense.

O resultado não surpreendeu, apesar do esforço de Luiza Ribeiro em chamar o partido para uma postura de coerência, reportando-se ao fato de o PPS ter apoiado a eleição de Alcides Bernal e posicionar-se claramente contra a destituição do prefeito, acusando de golpe o processo de cassação montado e executado pela maioria dos vereadores.

Para quem votou com Luiza, restou a sensação de que, direta ou indiretamente, o resultado da convenção acaba fortalecendo os vínculos entre socialistas e tucanos. Daí a expressão irônica “puxadinho do PSDB”, ilustrado pelo fato de o pré-candidato do PPS, Athayde Nery Jr, ter um histórico de associação política com o partido do governador Reinaldo Azambuja e da pré-candidata a prefeita, Rose Modesto.

Nas eleições de 2012, Athayde era o candidato a vice-prefeito na chapa de Azambuja, que chegou em terceiro lugar no primeiro turno e quase tirou Edson Giroto do segundo. Mas o apoio tucano, depois de engordar o arsenal de votos que fez Bernal vencer a disputa, foi retirado logo depois. Em 2014 Reinaldo Azambuja foi eleito governador e nomeou figuras de proa do PPS em seu governo: Athayde Nery Jr tornou-se titular da Secretaria de Cultura, Turismo, Empreendedorismo e Inovação, enquanto Édio Viégas ficou com o cargo de secretário-adjunto de Administração e Desburocratização.

Depois de convenção, Luiza disse que a Governadoria turbinou a militância para matar sua proposta e chegou a acusar Viégas de agir de má-fé na cooptação de votos, quitando irregularmente mensalidades atrasadas de filiados que de outra forma não estariam aptos a votar. A vereadora prometeu encaminhar a questão ao Conselho de Ética do partido.

No entendimento de Athayde Jr, porém, a visão de Luíza é equivocada e se o PPS fosse convencido a apoiar Bernal, fatalmente perderia os espaços e avanços que já conquistou. Para ele, o lançamento de candidatura própria é um anseio antigo e exigido pelos vários segmentos sociais que compõem a sigla.

Ex-vereador, poeta, ativista sindical e militante de movimentos sociais, Athayde aposta na viabilidade de seu nome e do programa que irá defender para chegar ao segundo turno e arrisca que, com chapa própria, o PPS terá condição de ampliar sua bancada para até três vereadores. Hoje, a única parlamentar municipal do partido é Luiza, que será candidata à reeleição e continua receosa quanto ao futuro da legenda.