10 de abril de 2021
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Crescimento de adversários e ausência de antigos apoiadores complicam Ruiter

Para alcançar a competitividade necessária na disputa sucessória e melhorar as perspectivas de ser prefeito de Corumbá pela terceira vez, o neo-tucano Ruiter Cunha de Oliveira precisa remover obstáculos pontuais enquanto há tempo suficiente antes de a campanha começar e o eleitorado indicar suas tendências. Além do crescimento de seu maior adversário, o prefeito e pré-candidato à reeleição Paulo Roberto Duarte (PDT), Ruiter redobra o esforço na tentativa de recuperar ao menos uma parte do patrimônio político-eleitoral que acumulou em seus dois mandatos quando ainda era filiado ao PT.

Quando deixou o PT, no final do ano passado, ciente de que não poderia permanecer na mesma legenda de um prefeito que buscaria a reeleição, Ruiter procurou um abrigo mais confortável. E escolheu o PSDB, sem imaginar que Paulo Duarte também se desfiliaria do PT para ingressar no PDT. No entanto, a mudança partidária de ambos vem expondo que no balanço de ganhos e perdas quem mais tem a reclamar é o ex-prefeito. Poucos de seus antigos seguidores e aliados se mostram dispostos a conservar a antiga aliança, principalmente quadros tradicionais e influentes do PT, de partidos e da base social que lhe deram sustentação em seus oito anos de Prefeitura.

O quadro de esvaziamento político dentro da base que havia construído já se acentuava no seu segundo mandato, ao promover reformas administrativas e remanejamentos em cargos e funções que desagradaram parceiros tradicionais. A insatisfação de expressiva parcela de antigos companheiros chegou ao clímax nas eleições de 2012, por causa da inclinação de Ruiter e da própria máquina para favorecer candidatos de sua preferência à Câmara de Vereadores. Vários deles se disseram prejudicados pelo direcionamento político-eleitoral do então prefeito para beneficiar dois ou três amigos e assessores de sua exclusiva predileção.

Com a recente pesquisa do Ipems sobre avaliação de governo divulgada pelo “Correio do Estado” em abril último, a sirena do alarme político foi acionada no QG de Ruiter. Segundo a amostragem, a administração de Paulo Duarte atingiu um aprovação superior a 42%, reproduzindo um vigoroso crescimento em comparação com os anos anteriores. A crescente evolução do prestígio de Duarte obriga o ex-prefeito a recompor com a máxima densidade possível seus alicerces políticos e eleitorais, até porque já não goza do favoritismo que chegou a ostentar nos primeiros dias depois de concluir seu mandato.