02 de dezembro de 2021
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Deputado Vander Loubet analisa saída de Puccinelli na disputa eleitoral

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<div style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, sans-serif;">O PMDB e boa parte do mundo político de Mato Grosso do Sul desejava e esperava que André Puccinelli deixasse o governo do Estado para compor a chapa majoritária com
O PMDB e boa parte do mundo político de Mato Grosso do Sul desejava e esperava que André Puccinelli deixasse o governo do Estado para compor a chapa majoritária com
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Foto: Divulgação
O PMDB e boa parte do mundo político de Mato Grosso do Sul desejava e esperava que André Puccinelli deixasse o governo do Estado para compor a chapa majoritária com Nelson Trad Filho para as eleições deste ano.
 
Sou um entusiasta das estratégias políticas e pelos seus bastidores, onde os atores se movimentam e, a cada movimento de um lado, provoca movimentos do outro. Entender, lidar e fazer uso das estratégias é um processo rico, dinâmico e complexo. E acredito que é nesse contexto que a renúncia de André em disputar uma vaga no Senado pode e deve ser entendida.
 
André sempre afirmou e reafirmou que toma as suas decisões com base em pesquisas, o que me parece verídico. Nesse sentido, entendo as estratégias do governador apresentam uma certa previsibilidade. As pesquisas, de fato, não lhe eram assim tão favoráveis. Um eventual enfrentamento contra o senador Delcídio do Amaral para governador e contra o deputado federal Reinaldo Azambuja para senador significava a efetiva possibilidade de uma derrota.
 
Outro aspecto é que, em geral, André toma as suas decisões políticas dentro de um roteiro que envolva poucos riscos. Justamente por isso esse episódio não foi diferente daquele de 2002, quando optou por não renunciar à Prefeitura de Campo Grande para disputar o governo do Estado com o então governador Zeca do PT. Só foi disputar o Executivo estadual em 2006, quando avaliou que os riscos de derrota eram menores.
 
A versão oficial do governador para não concorrer ao Senado agora em 2014 prega que ele vai permanecer no governo para concluir os trabalhos do seu mandato. Acredito ser um argumento questionável, pois para quem governou Mato Grosso do Sul por 88 meses, não serão esses oito meses restantes que farão diferença.
 
Nesse jogo de "xadrez da política", ocorreram dois movimentos que foram decisivos para chegarmos a essa situação. Esses movimentos não tornam as eleições de 2014 mais fáceis para o PT ou para Delcídio, mas deixaram André, enquanto peça desse tabuleiro, numa posição menos ativa do que se fosse candidato a senador.
 
O primeiro movimento se refere à frente de partidos de oposição que formamos em 2012 em Campo Grande, que impôs uma profunda derrota ao PMDB, debilitando a situação de Nelsinho para 2014. Não há dúvida de que a vitória de Alcides Bernal e do seu vice Gilmar Olarte na Capital fragilizou o PMDB, que sempre teve na Cidade Morena uma espécie de fortaleza eleitoral. Vou além: penso ser um equívoco achar que o governo de Olarte está a serviço do PMDB para as eleições de 2014, pois seus atos, até o momento, apontam para a construção de um governo de coalizão com todos os partidos.
 
O outro movimento foi o processo de aproximação política do senador Delcídio ao deputado Reinaldo Azambuja, marcada pela participação do nosso pré-candidato a governador, do PT,  no primeiro encontro regional do Projeto Pensando MS, do PSDB, em Aquidauana, em outubro do ano passado, onde praticamente foi selada a proposta de aliança dessas duas lideranças e dos dois partidos.
 
Registre-se, ainda, três movimentos adicionais que fragilizaram ainda mais o PMDB para as eleições deste ano: a declaração de apoio de João Leite Schimdt e do PDT à pré-candidatura de Delcídio; os diálogos com Londres Machados e demais lideranças do PR e, finalmente, a oferta a Murilo Zauith (PSB) e a Zé Teixeira (DEM) para que o candidato a vice-governador na chapa de Delcídio seja uma indicação da Região da Grande Dourados. Trata-se de uma articulação das forças políticas que criaram grandes dificuldades para uma ampliação por parte do PMDB de André Puccinelli da sua base de aliados.
 
O jogo desse "xadrez da política" só vai terminar em 3 de outubro. Mas, até lá, as peças vão continuar a se movimentar. A nós, do PT, que temos na candidatura do senador Delcídio a efetiva possibilidade de retornar ao governar do Estado, nos resta permanecer com a capacidade de dialogar com as forças aliadas (tanto as confirmadas quando as que estão em processo de consolidação) na construção de um programa de governo que retrate os anseios da população.
 
*Deputado federal (PT) e coordenador da bancada de MS no Congresso Nacional