20 de abril de 2021
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INTERNACIONAL | GOLPE MILITAR

Derrotados nas urnas, militares dão golpe em Mianmar com acusações 'estilo Trump'

Estilo 'acusar fraude eleitoral sem provas' se espalha pelo mundo, chegou ao território de Mianmar e levou os militares derrotados nas urnas a tomar o poder do país

Militares de Mianmar tomaram o poder no país nesta 2ª-feira (1º.fev) (horário local) e detiveram integrantes do governo, inclusive a líder política Aung San Suu Kyi, vencedora do Nobel da Paz em 1991; e o presidente do país, Win Myint. Nos últimos cinco anos, Suu Kyi e seu partido, uma vez banido Liga Nacional para a Democracia (NLD), lideraram o país depois de ser eleito em 2015 na votação mais livre e justa em 25 anos. Na manhã de 2ª-feira (1º.fev), o partido deveria iniciar seu segundo mandato.

Uma junta militar pretende ficar no governo durante um ano. Eles acusam os governantes depostos de estarem no poder graças a uma fraude eleitoral, mas assim como o ex-presidente dos Estados Unidos, Republicano, Donald Trump, não apresentaram provas de suas acusações.  

Há dois meses, o partido Liga Nacional pela Democracia venceu uma eleição que opositores, impulsionados por militares, acusam de serem fraudadas — o que o presidente e as lideranças governistas de Mianmar negam.

Os militares não apresentaram nenhuma prova de suas acusações. "Obviamente, Aung San Suu Kyi obteve uma retumbante vitória eleitoral", disse Phil Robertson, vice-diretor da Human Rights Watch (HRW) na Ásia. "Tem havido alegações de fraude eleitoral sem evidências".

Nesta 3ª-feira (2.fev) os militares fecharam o principal aeroporto internacional do país, o de Yangon, até maio. 

O Conselho de Segurança da ONU vai se reunir nesta quinta para debater o golpe militar no país asiático, que faz fronteira com China, Bangladesh, Laos e Tailândia no sudeste da Ásia.

Ontem, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, havia pedido pressão internacional para que militares de Mianmar "renunciem imediatamente" após o golpe.

Os militares alegam "enormes irregularidades" nas eleições legislativas de novembro, vencidas por ampla maioria pelo partido de Aung San Suu Kyi, o NDL, e dizem que vão organizar uma votação "livre e justa" após o estado de emergência.

Suu Kyi é filha do herói da independência de Mianmar, o general Aung San, assassinado quando ela tinha apenas dois anos de idade.

O Exército anunciou um estado de emergência por um ano e que o general Min Aung Hlaing, chefe das Forças Armadas, será o presidente em exercício. "Colocaremos em funcionamento uma autêntica democracia pluripartidária", afirmaram os militares em um comunicado.

Em 2015, a NDL também venceu por ampla maioria, mas se viu obrigada a compartilhar o poder com o Exército, que controlava três importantes ministérios (Interior, Defesa e Fronteiras).Devido a uma Constituição falha do país que garante um quarto de todas as cadeiras no Parlamento e o controle dos ministérios mais poderosos do país aos militares. 

Mianmar saiu há apenas dez anos de uma ditadura militar que governou o país durante quase meio século.

 

*Fonte: BBC NEWS E G1.