24 de fevereiro de 2021
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PRINCIPAL AMEAÇA

Desemprego é 'fantasma' que assombra governo Bolsonaro

Crescimento no desemprego aumenta a queda na popularidade do governo

Com apenas uma saída: a melhora na economia. A dependência do governo de Jair Bolsonaro (PSL), começa a preocupar, já que após quatro meses de administração, nenhuma reação do mercado e vários resultados negativos colaboram para uma queda do otimismo em todas as instâncias do governo. A causa? Manobras políticas nada efetivas e despedidas de grandes nomes que resolveriam os problemas estruturais da equipe de extrema direita. 

Para além de provocador de otimismo, o desemprego é também a maior ameaça à popularidade do governo. Conforme dados apurados pelo site Correio Braziliense, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em pesquisa mais recente mostra que cerca de 13,4 milhões de pessoas estão sem trabalho no país, número que aumentou 10,2% no primeiro trimestre, em comparação com os três últimos meses de 2018. 

A baixa oferta de empregos está associada à baixa confiança de empresários e consumidores e à atividade econômica fraca, situação que só será possível reverter com aprovação da reforma da Previdência, que está nas mãos da elite política do país. 

Em seu pronunciamento à TV no Dia do Trabalho [1º de maio], Bolsonaro se quer chegou a falar da situação. Falou que o governo tem compromisso com "liberdade econômica", lembrando medida provisória assinada na terça-feira (30), que cria caminhos de facilitação à pequenas empresas e startups e desobriga o alvará de funcionamento para novos produtos e serviços. 

Citou também ações futuras como o "simplifica", que se trata de um conjunto de 50 medidas para reduzir a burocracia do setor produtivo. No entanto, analistas econômicos explicam que nenhuma dessas ações tem peso na mesa do trabalhador e sequer terão resultados explícitos a curto prazo. No caso da economia brasileira, trata-se de confiança do mercado a ser recuperada, o problema fiscal gera essa crise. E até Bolsonaro já falou no quanto a tal "reforma necessária", poderá desidratar o governo. 

Analistas econômicos de todo o país falam em tomadas de ações políticas, que é preciso mudar o discurso para que a classe trabalhe pelo país. Porém a briga ideológica nas instâncias presidenciais começa em casa e acaba na casa de leis, isso é, a instabilidades dos filhos de Bolsonaro colaboraram para que a própria proposta de Reforma Previdência, emperrasse no plenário. Outro fator que colaborou, foi Maia x Moro, que restringiu às discussões a toda uma briga de poder, o que visivelmente foi desaprovado pela população á margem que cresce em ritmo acelerado. 

Estudo encomendado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), realizado pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), revela que Bolsonaro tem a pior avaliação inicial de um governo eleito desde a redemocratização, com apenas 35% das pessoas considerando a gestão como ótima ou boa.

O economista Silvio Campos Neto disse ao Correio Braziliense, que as medidas adotadas até agora, como a MP da Liberdade Econômica, vão na direção correta. “Mas não há uma bala de prata para a queda rápida dos índices de desemprego, até porque isso será gradual, já que há pouca capacidade do setor público para estimular a economia”, explicou.  

CARTOLA 

O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, disse, no Dia do Trabalho, que o desemprego é herança dos governos petistas. 

No entanto, ao olhar de analistas políticos, atacar governos anteriores não ajuda. Na avaliação do economista-chefe da Sul América Investimentos, Newton Rosa, não existe milagre. “Reduzir o desemprego depende do crescimento da economia, que está estagnada há muitos anos”, explicou. Para ele, o mercado de trabalho não vai se recuperar em 2019. “Talvez no ano que vem, mas isso dependerá da capacidade do governo de aprovar as reformas”, frisou.

Fonte: *HAMILTON FERRARI - CORREIO BRAZILIENSE