20 de abril de 2021
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Eleições

Desistência de prefeitos abre caminho para renovação em MS?

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Embora se mantenha a tendência de domínio das velhas raposas no cenário da sucessão municipal em Mato Grosso do Sul, um fator será determinante para que novas lideranças políticas saiam das urnas de outubro próximo: a decisão de prefeitos de não concorrer à reeleição. Da relação que administra os 79 municípios do Estado, 54 têm o direito de tentar mais quatro anos, porém duas dezenas deles abdicaram, uns por razões pessoais, outros pelo desconforto de pendências judiciais.

Entre os que, por lei, poderiam ir em busca de mais um mandato estão: Adão Rolim (PR), de São Gabriel do Oeste; José Domingues Ramos, o Zé Cabelo (PSDB), de Ribas do Rio Pardo; Heitor Miranda (PT), de Porto Murtinho; Leleco Brito (PT do B), de Bonito; Zé Henrique Trindade (PDT), de Aquidauana; Juliana Almeida (PR), de Miranda; Jun Iti Hada (PMDB), de Bodoquena; Selso Losano (PT), de Antonio João; e Sérgio Barbosa (PMDB), de Amambai.

Juliana Almeida, filha dos ex-prefeitos Roberto Almeida (já falecido) e Beth Almeida, derrotou em 2013 a ex-primeira-dama Marlene Bossay (PMDB), esposa do ex-prefeito Ivan Bossay, por uma diferença mínima (39,66% dos votos contra 38,43%). Eleita pelo PT e cooptada pelo PR, Juliana chegou a ser afastada do cargo duas vezes, acusada de compra de votos, e por cerca de um ano foi substituída por Marlene.

Beneficiada por uma liminar, Juliana reassumiu o mandato e indicava que seria candidata à reeleição. Mas resolveu não disputar, justificando que problemas de saúde do marido - diagnosticado com problemas cardíacos, submetido a delicada cirurgia e a rigoroso pós-operatório - não permitiram fazer a campanha eleitoral.

Em Antonio João, outra liderança eleita pelo PT, o prefeito Selso Lozano, não transmitiu segurança aos seus seguidores, permitindo que a dúvida sobre a presença na disputa alargasse os caminhos aos adversários. Com isso, a ex-primeira-dama Márcia Marques, viúva do prefeito Juneir Marques, ingressou no PMDB, ganhou a densidade política que precisava e lançou-se candidata, assim como o ex-prefeito Dácio Queiroz, que atendeu apelo do governador Reinaldo Azambuja e teve seu nome homologado para concorrer pelo PSDB.

Em Porto Murtinho, o baixo índice de aprovação administrativa e a falta de um nome competitivo em seu bloco original de aliados levaram o prefeito petista Heitor Miranda dos Santos a tomar uma atitude surpreendente: abriu mão de tentar a reeleição e aliou-se à ex-vereadora e sua ferrenha adversária nas eleições de 2012, Rosângela Baptista (PMDB). Ela ganhou agora de Heitor o apoio que perdeu de seu ex-padrinho político, o ex-prefeito Nelson Cintra (PSC), que agora é o principal incentivador do candidato do PSDB, o veterinário e fazendeiro Derley Delevatti.

            Para um calejado e vitorioso político que já governou a cidade em três mandatos, em princípio não seria difícil a José Domingues Ramos, o Zé Cabelo, conquistar mais um. Entretanto, precavido, e sob o argumento de estar movido pela atenção a apelos familiares, preferiu evitar nova disputa e dar seu apoio ao médico-veterinário João Pegolo (PEN). Sem Zé Cabelo no páreo, outros dois candidatos viram melhorar as suas chances e entraram na pista para enfrentar Pegolo: o professor Kleber Souza, o Kará (PEN), e o advogado João Alfredo Danieze (PSOL).