25 de fevereiro de 2021
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Dourados: com Délia à frente e maior rejeição, Geraldo despenca

Para quem entendia que ao trocar o PMDB pelo PSDB o deputado federal Geraldo Resende consolidaria sua força na corrida pela Prefeitura de Dourados, agora vê que a realidade é outra, e oposta. Não por culpa do partido, mas certamente pelo próprio histórico político que o deputado construiu, sua pré-candidatura perdeu o ar majestoso do favoritismo prematuro e não tem mais o fôlego inicial.

A dois meses do início oficial da campanha uma pesquisa atesta que a preferência por Resende não é majoritária entre os eleitores douradenses. Com a divulgação da mais recente pesquisa sobre a sucessão, Geraldo Resende deve preocupar-se com o retrato do momento em que vive: lidera a rejeição, vê uma de suas rivais tomar a liderança e outro aproximar-se perigosamente. A tendência, ao que tudo indica, é despencar, o que confirmaria a avaliação de adversários e até eventuais aliados, para quem o deputado, mesmo sendo eficiente parlamentar na busca de recursos, politicamente não soube agregar e optou por ações e decisões egocêntricas que assustaram e inibiram potenciais alianças.

 Realizada nos dias 9 e 10 deste mês junto a 300 eleitores, registrada na Justiça Eleitoral com o número MS-06144/2016 e grau de confiabilidade em 95%, a pesquisa do Ipems indica que a vereadora Délia Razuk (PR) é a campeã absoluta das intenções de voto. No critério da consulta estimulada, ela é a candidata de 44,48% da população, ou 12 pontos percentuais à frente de Resende, que tem 32,11%. Outro postulante, o deputado estadual Renato Câmara (PMDB), mesmo em terceiro com 3,52%, encontra um cenário passível de crescimento, tendo em vista a migração de preferências que sempre ocorre quando as disputas são pulverizadas. O quarto é Wanderlei Carneiro (PP), com 1,94% e os votos brancos, nulos e indecisos chegam a 17,96%.

A situação é igualmente desfavorável para Geraldo Rezende na simulação feita pelo Ipems de uma disputa polarizada com Délia Razuk. Se só os dois disputassem, ela venceria com 46,28%, uma folga confortável sobre os 35,43% atribuídos ao neo-tucano. Neste cenário, sobrariam 18,29% de eleitores que se declararam indecisos ou dispostos a votar em branco ou anular o voto.

No quadro de rejeições, o item que é o maior pesadelo dos que sonham a consagração nas urnas, Geraldo Resende é o pré-candidato que domina as respostas à pergunta sobre em quem o eleitorado não votaria de jeito algum: 24,42%. O vice-campeão da rejeição é o deputado Renato Câmara (21,25%), seguido de Wanderlei Carneiro (19,69%). Délia tem o menor índice nesse quesito: 15,76%.

O inferno astral de Geraldo Resende, segundo se especula na região, começou quando ele passou a hostilizar o principal líder do PMDB, André Puccinelli. Ao ex-governador ele atribuiu a responsabilidade de não ter sido candidato e eleito prefeito de Dourados nos pleitos anteriores, quando a população escolheu, primeiro, Ari Artuzzi (PDT), já falecido, e depois Murilo Zauith (PSB), em duas eleições.

Para expressiva parcela dos peemedebistas, Geraldo Resende teria feito “corpo mole” na campanha de Nelsinho Trad, que era o candidato do PMDB ao governo em 2014. A prova definitiva da falta de sintonia com o partido veio no ano passado, quando o deputado preparou seu ingresso no PSDB, confirmado no início deste ano, mesmo com o controle do diretório peemedebista e a garantia de ser o nome indicado para disputar a Prefeitura. Até o ano passado, as pesquisas apontavam que Resende e Délia dividiam os primeiros lugares, mas com o deputado em situação de favorito. Hoje, o panorama já está modificado, e com números vigorosos. Geraldo Resende, que é o campeão em emendas parlamentares para Dourados, pode estar pagando o preço de seu criticado comportamento no trato social e político ou, quando menos, amargando o ônus de uma incômoda pecha que desgasta os políticos e nasceu quando desafiou Puccinelli: a de traidor.