23 de abril de 2021
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Eleições

Em Campo Grande, PSDB pode ficar sem eleitor de Bernal

Tom dos ataques contra o prefeito na campanha influi na definição do voto no 2º turno

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Órfãos de seu líder político no segundo turno e com seus votos cobiçados por Marquinhos Trad (PSD) e Rose Modesto (PSDB), os eleitores do prefeito Alcides Bernal (PP) provavelmente estejam esperando dele um aceno sobre quem apoiar para sucedê-lo. É presumível que o prefeito os libere para votar em quem queiram ou instigue o raciocínio vitimista que marca sua presença no poder. Esse raciocínio impliaria induzir seus fiéis a praticar o voto da represália contra o concorrente mais ácido e impiedoso nos ataques ao governo municipal.

Não se pode descartar a hipótese de Bernal considerar vantajosa para seus projetos políticos a oportunidade de interferir no resultado, sobretudo porque não passou do primeiro turno por apenas 2.610 votos. Mesmo com alta rejeição e a pesada carga midiática contra sua administração, ainda conseguiu sair das urnas com 111.128 votos ou 26,01% do eleitorado. 

Dessa forma, nenhum dos dois finalistas irá desprezar um exército que perdeu seu comandante e representa quase um terço dos votantes do maior colégio eleitoral de Mato Grosso do Sul. É difícil saber se a decisão de carregar ao máximo a artilharia contra o prefeito atendeu à necessidade de garantir a vice-liderança nas intenções de voto ou se foi, de fato, um erro tático dos coordenadores da campanha de Rose.

A candidata tucana assumiu o risco de ser a principal acusadora de Bernal na esteira de um discurso virulento, mordaz e absolutamente desinteressado em deixar aberta uma portinhola de aproximação ou de diálogo. Com iso, em principio os estrategistas tucanos fecharam ou estreitaram demais a passagem para expressiva parcela do eleitorado da comunidade que, mesmo votando no prefeito no primeiro turno, estaria agora suscetível a votar em qualquer dos dois concorrentes que tiraram Bernal do páreo.

Em determinado momento da campanha, e já na reta final, o retrato das tendências de apoio no segundo turno se desenhava com maior nitides. A linguagem, a intensidade e a frequência cdos ataques ao prefeito variavam de candidato a candidato. E quem mais agrediu na verbalização ati-Bernal foram Rose e Coronel Davi. 

O segundo turno é outra eleição e tudo pode acontecer. Todavia, Marquinhos e Rose têm consciência do que representam as palavras, sobretudo as pronunciadas no calor das emoções ou no embalo da ansiedade e do açodamento. A memória da população, longe de ser fraca, hoje é muito mais poderosa, seletiva e ainda conta com a ajuda da tecnologia como uma segunda memória a auxiliar o gravador que tem no cérebro.