16 de janeiro de 2021
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Em casa, Aécio e campos enfrentam dificuldades

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Por Marco Damiani, do 247 – O que está acontecendo nas eleições para governador de Minas Gerais e Pernambuco não fazia parte, definitivamente, dos planos dos presidenciáveis da oposição. Tanto Aécio Neves como Eduardo Campos basearam suas estratégias nacionais em vitórias confortáveis dos pré-candidatos que escolheram, a dedo, para concorrer em seus redutos eleitorais. As pesquisas feitas até agora, porém, indicam que o mais provável é que as disputa sejam bem mais acirradas.

Tanto o tucano Pimenta da Veiga, com base em Belo Horizonte, como o socialista Paulo Câmara, instalado em Recife, estão comendo poeira dos concorrentes aliados à presidente Dilma Rousseff. O senador Armando Monteiro, do PTB, apresentou 55% de intenções de voto em Pernambuco no último Vox Populi, enquanto o ex-ministro Fernando Pimentel, do PT, marcou 35,5% em Minas, de acordo com a pesquisa Veritá/247 (leia mais aqui). Ambos, de acordo com o levantamento, ganhariam em primeiro turno – Pimentel teria mais de 61% dos votos válidos.

Para antes da Copa do Mundo, quando se considera que poderá ocorrer uma pausa na campanha eleitoral, não poderia haver cenário mais delicado para Aécio e Campos em seus redutos. O senador mineiro ainda tem planos de abrir uma frente de cerca de 4 milhões de votos sobre Dilma no Estado que já governou por duas vezes. Mas o baixo desempenho de Pimenta da Veiga, que ainda enfrenta a acusação de ter recebido R$ 300 mil do publicitário Marcos Valério, está fazendo as vezes de uma pesada âncora para o presidenciável tucano.

Segundo a pesquisa Veritá/247, Aécio superaria Dilma na disputa presidencial em Minas e conta ainda com os números expressivos de votação do candidato a senador Antonio Anastasia. Mas ele perderia, por exemplo, se o candidato do PT fosse o ex-presidente Lula. Na disputa estadual, mesmo considerando o peso de seu apoio, Pimenta da Veiga ainda seria superado por Fernando Pimentel.

O quadro em Pernambuco

Em Pernambuco, o quadro é ainda mais delicado para a oposição. Antes de entrar em definitivo na corrida eleitoral, Campos dizia que desistiria da campanha se o candidato do PT viesse a ser o ex-presidente Lula. Com pesquisas próprias na mão, ele calculava que, mesmo em Pernambuco, Lula teria mais votos do ele próprio. Com o ex-presidente oficialmente fora do páreo, o que Campos não esperava era que seu pré-candidato Câmara tivesse um desempenho tão aquém das expectativas. Com o apoio de Dilma e Lula, o senador petebista Armando Monteiro vai fazendo uma campanha do tipo avassaladora, com o qual poderá ser um campeão de votos entre todos os concorrentes a governos estaduais.

Para o caso de haver um segundo turno na eleição presidencial, o atual favoritismo dos pré-candidatos governistas nos dois Estados dos presidenciáveis da oposição é bastante preocupante para Aécio e Campos. A se confirmar o favoritismo que vai se ampliando, segundo as pesquisas, ambos teriam pela frente dois novos governadores eleitos, em tudo interessados em derrotá-los diante de suas bases mais próximas.

Seria como se, justamente nos Estados em que se tornaram os chefes políticos mais poderosos dos últimos anos, Aécio e Campos ficassem, repentinamente, sem palanques fortes. Há apenas alguns meses, nem a presidente Dilma poderia imaginar um cenário tão surpreendente.

Brasil 247