26 de fevereiro de 2021
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Em depoimento à CPI, Bumlai nega-se a responder questionamentos sobre BNDES

O empresário e pecuarista José Carlos Bumlai recusou-se a responder as perguntas feitas pelo relator da CPI, José Rocha (PR-BA), e pelos demais deputados da comissão que investiga, na Câmara dos Deputados, ações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. O pecuarista participou da oitiva nesta terça-feira (1º) na condição de réu.

Na oportunidade, Bumlai disse aos presentes na CPI, que até poderia ter colaborado com a CPI, caso não estivesse depondo na condição de réu. O empresário chegou respaldado por um habeas corpus concedido pelo ministro Marco Aurélio, do STF (Supremo Tribunal Federal).A medida garante a Bumlai o direito de manter-se em silêncio na CPI e também de não assinar termo de compromisso de dizer a verdade, além de ser assistido por advogado. eira (1º).

Durante os questionamentos do relator e dos demais deputados, o empresário limitou-se a dizer que, por orientação ou por recomendação dos advogados, permaneceria em silêncio. Bumlai foi preso no último dia 24, durante a Operação Passe Livre, na 21ª fase da Operação Lava Jato, em Brasília, na data em que se apresentaria à CPI do BNDES. O pecuarista foi acusado por dois delatores da Lava Jato, Fernando Soares, o Fernando Baiano, e Salim Schahim, do Banco Schahim, de ter recebido propina para mediar negócios com a Petrobras.

O procurador da República Diogo de Mattos disse, no dia 24 de novembro, que Bumlai usou os contratos firmados com a Petrobras para quitar empréstimos feitos no Banco Schahin. De acordo com o procurador, o que a investigação comprovou até agora é que, em 2004, houve um empréstimo contraído formalmente no nome de José Carlos Bumlai e que, segundo informações de três colaboradores, esse empréstimo se destinava ao PT para ser pago mediante a contratação da Schahin como operadora do navio-sonda Vitória 10.000, da Petrobras, em 2009.

Mattos acrescentou que o principal empréstimo investigado, de R$ 12 milhões, foi contraído em 2004 e, depois, postergado ao longo dos anos. No fim de 2005, para quitá-lo, uma empresa de Bumlai fez um novo empréstimo no mesmo banco. A empresa contraiu o empréstimo e passou para Bumlai, que o quitou. Posteriormente, surgiu um novo débito, de R$18 milhões. De acordo com o procurador, esse empréstimo não foi pago.