20 de abril de 2021
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Eleições 2016

Entre Bernal e Athayde, PPS faz Convenção buscando unidade

A possibilidade de o PPS campo-grandense ter suas rachaduras aprofundadas existe, mas ainda é menor que a expectativa de reunificar suas forças. E é exatamente o apelo da unidade que estará alimentando as principais lideranças de um partido que neste sábado, a partir das 8h, decidirá em convenção se lançará candidatura própria ou optará pelo apoio à reeleição do prefeito Alcides Bernal.

Os principais interlocutores do PPS divergem. O presidente do Diretório Estadual, Athayde Nery de Freitas Jr, já se lançou pré-candidato a prefeito e sacramentou um processo de entendimento para coligação com o Rede Sustentabilidade, que defende a pré-candidatura de Roberto Oshiro. Por sua vez, a vereadora Luiza Ribeiro insiste na quase obrigação política de o partido ficar com o projeto de reeleição de Bernal.

Os sinais dessa divisão estão evidentes em diversas manifestações publicadas na imprensa e nas mídias sociais por parte de seus próprios protagonistas. No Facebook, por exemplo, Athayde Nery Jr faz as chamadas para a convenção de sábado incitando os convencionais a apoiar o lançamento de candidatura majoritária à Prefeitura, enquanto Luiza divulga convites exortando a militância com um apelo contundente: “Vote pela coerência. PPS segue na aliança com Bernal”.

As personagens mais antigas da legenda, como o engenheiro Fausto Matto Grosso, advogam o nome de Athayde como candidato ou, em segunda hipótese, a coligação com outro partido que não o PP de Bernal. Ex-vereador e ex-secretário de Estado, Fausto também descarta qualquer chance de aliança com o PT, mas não desprezaria, assim como Athayde, um entendimento com o PSDB do governador Reinaldo Azambuja e da pré-candidata Rose Modesto.

O PPS apoiou em 2014 a eleição de Azambuja e tem destacados militantes ocupando cargos de relevância no governo tucano. Athayde era até poucos meses o titular da Secretaria Estadual de Cultura, Turismo, Empreendedorismo e Inovação. Édio Viegas, outro membro do quadro dirigente dos pepessistas, é adjunto da Secretaria Estadual de Administração e Desburocratização. Não seria nenhuma novidade, portanto, caso naufrague a tentativa de voo-solo na sucessão municipal, o PPS de Athayde mirar ou cogitar uma aliança com o PSDB.

No caso de Luiza Ribeiro, seu nome – e ela admite – está entre os mais citados como alternativa para a vaga de candidata a vice na chapa de Alcides Bernal. Merecimento junto ao prefeito não lhe falta, sobra. Ela tem sido uma fiel escudeira e até faz no Legislativo intermediações de demandas políticas do Executivo, algumas espinhosas, mesmo sem exercer a função de líder.

Para seu partido, porém, o dilema que se pronuncia é outro, como faca de dois gumes. Caso seja ela a vice de Bernal: o PPS se arriscaria a ficar sem seu melhor nome na chapa proporcional para garantir ao menos a única cadeira na Câmara. Porém, a perspectiva de vantagem é que teria com ela uma chance real de eleger pela primeira vez na história política um de seus quadros em cargo majoritário da administração municipal – chance delineada pelas pesquisas que apontam o nome de Alcides Bernal nas duas primeiras posições das intenções de voto do eleitorado da capital de Mato Grosso do Sul.