21 de junho de 2021
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Equilíbrio e visão na bagagem que Jerson leva ao TCE-MS

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De presidente para presidente. O da Assembleia Legislativa substitui o do Tribunal de Contas (TCE-MS). O que parece uma troca corriqueira tem outros significados no contexto institucional e político de Mato Grosso do Sul. O deputado estadual Jerson Domingos (PMDB) vai assumir a vaga de Cícero de Souza, ambos com vários mandatos acumulados na presidência das duas instituições, detalhe que indica o tamanho e o peso de cada um na vida pública do Estado.

Já com a aposentadoria oficializada, Cícero foi substituido na presidência – pela qual respondeu em quatro períodos - pelo conselheiro José Ricardo Cabral, que responderá pelo mandato-tampão até 31 de dezembro. Seu substituto já está escolhido: é o conselheiro Waldir Neves Barbosa cuja investidura acontecerá a 1° de fevereiro.

Se no TCE a sucessão da Mesa Diretora está definida, na Assembleia a grande pergunta que se faz é: quem virá depois de Jerson? É a mesma indagação que se fez, com outros personagens, quando Londres Machado deixou de candidatar-se à presidência do Parlamento, função que ocupou em seis legislaturas. Coincidência: quem substituiu Londres, para o biênio 93/95, foi exatamente Cícero de Souza.

DIMENSÃO – O campo-grandense Jerson Domingos vai desembarcar no Conselho Deliberativo do Tribunal ao mesmo tempo em que se inicia um novo ciclo político e administrativo. O governador eleito, Reinaldo Azambuja (PSDB), já adiantou que iniciará sua gestão adotando medidas severas de controle de gastos, cortes orçamentários e redução de custeio com pessoal.

Medidas dessa natureza já haviam sido tomadas pelo atual governador, André Puccinelli (PMDB), mas o TCE soube ajustar-se à situação. Não se sabe ainda quais a extensão e a profundidade dos cortes cogitados pelo tucano, mas se houver necessidade de mediação nas relações entre os poderes, a presença de Jerson Domingos será um reforço substancial.

Ele acumula diversas experiências em seus cinco mandatos consecutivos. E algumas emblemáticas, a exemplo das intervenções para acalmar ânimos e buscar soluções ao conflito entre proprietários rurais e índios. As refregas fundiárias plantaram conflagrações em várias regiões de Mato Grosso do Sul, com fatos graves, como a desocupação judicial em Sidrolândia que resultou na morte de um índio terena.

Diversas forças da sociedade se somaram em busca de soluções, mas um dos pontos de equilíbrio e de entendimento para alcançar a trégua foi obtido pela Assembleia Legislativa. Além de audiências públicas, da cobrança feroz dos setores de esquerda e da impaciência dos fazendeiros, o governo federal não conseguiu, por si, persuadir as partes. Jerson, que é proprietário rural, evitou o palanque do discursismo e, fora do estreito corredor ideológico, presidiu a ação que teve importância capital para consolidar um plano neutro e seguro de convivência para o diálogo.

Outra prova de equilíbrio e de visão política e social foi dada durante as eleições, quando, assumidamente, e renunciando ao direito de disputar a reeleição, Jerson colocou-se abertamente na campanha do petista Delcídio Amaral ao Governo. A campanha sucessória foi tensa, nervosa e marcada por acusações pesadas entre os principais concorrentes. Jerson, no entanto, não permitiu que os maus humores da disputa contaminassem o ambiente do Palácio Guaicurus nem prejudicassem o desenvolvimento da atividade parlamentar, fato reconhecido até pelos deputados da oposição.

Janeiro de 2015 é o início de uma nova história. E com ela um novo desafio para este esportista que adora futebol, curte a família, ama uma pescaria e não tem medo de cara feia. Mas prefere, sempre, apostar na paz e na conversa.

Edson Moraes