19 de junho de 2021
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Direita volver

Esquerda e retrocesso: Erundina elegeu Jânio em SP, Dilma pode trazer radicais de volta

O brasileiro é tão passional na política quanto é no futebol. Governos desastrosos, seja em nível municipal, estadual ou federal, tendem a eleger o sucessor de orientação oposta.

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O grande cabo eleitoral que ressuscitou o ex-presidente Jânio Quadros para a política foi o desastroso governo de Luiza Erundina (então PT e hoje no PSB) na cidade de São Paulo. Entre Jânio, histriônico representante da direita e Fernando Henrique Cardoso, ponderado candidato de centro-esquerda, a população optou pela mudança radical. Hoje, mais que o pedido de impeachment de Dilma Rousseff (PT) o país vê crescer um perigoso saudosismo da Ditadura militarista.

Efetivamente, não corremos esse risco, pois ao contrário das hostes petistas, todos os outros setores da sociedade e da política evoluíram, talvez mais ainda os militares. A questão é que, a falta de movimentação golpista na caserna, sinal de vitória da força da razão, pode ser entendida como marasmo, por estes 'saudosistas sem razão'. Dai para a eleição de um representante dos golpistas ressentidos com viés de ditadores das bananas, vai um pulo. Candidatos que se sobressaem no Congresso, não faltam.

Erundina trouxe teóricos para seu secretariado, mas nenhum tinha experiência administrativa. Formou o caos no transporte público inchando os setores administrativos de uma estatal CMTC (Companhia Municipal de Transportes Coletivos), que chegou a ter 4 funcionários administrativos para cada veículo em uso; permitiu e incentivou a ocupação das áreas da represa Billings, vejam no que deu; e tantas outras sandices propiciadas pela musa filosófico-petista Marilena Chaui. “Tantas você fez que ela cansou” Jânio venceu com um discurso direitista e retrógrado.

E Dilma Rousseff, uma presidente que deve ser sempre grafada em textos jornalísticos seguida da indicação do partido a que pertence, porque governa para ele, indiscutível e temerariamente, quais riscos nos traz? Basta acompanhar as postagens em redes sociais e os diversos movimentos pedindo o retorno dos militares para que se aquilate os resultados temerários de seu desastroso desgoverno.

E, antes que questionem os motivos da vitória de Dilma sobre o candidato Aécio Neves (PSDB), sempre é bom lembrar que foram embates das forças que governaram o país e, os demais candidatos não tinham projeção nacional, exceto Marina Silva, perdida entre suas próprias contradições, cujo futuro era incerto entre um PSB que não a queria e um Rede que não consegue viabilizar.

O que dizer, agora, que o governo se esfacela, sufocado em seus próprios desvios éticos e sob uma avalanche de denúncias? Qual sentimento nesse mar de passionalidade do eleitor ele irá despertar? Para onde será direcionado seu voto? Essas são as verdadeiras questões que devem ser pensadas pela classe política. A única certeza que se tem é de que o PMDB estará com o novo governo, quaisquer que sejam as cores que ele carregue.

O PMDB já articula uma megaprodução em seu horário eleitoral, desenvolvida de tal forma que deixe claro que os únicos segmentos que funcionam no país são os que ele administra, se isentando e jogando um tanto de gasolina na fogueira que queima a estrela vermelha.

Resta aguardar os próximos acontecimentos, ver no que dá a manifestação cívica marcada para março, como se portará, o quanto será destruída pela infiltração de vândalos, o quanto será respeitada a diferença de opiniões.