02 de dezembro de 2020
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COBAIAS?

EUA suspende uso da cloroquina, mas mantém doações de doses ao Brasil

Testes científicos completos terão de ser aguardados e o uso emergencial não será mais liberado nos Estados Unidos

As autoridades americanas anunciaram nesta 2ª-feira (15.junho) a decisão de revogar "a autorização de uso emergencial que permitia que o fosfato de cloroquina e o sulfato de hidroxicloroquina fossem utilizados para tratar certos pacientes hospitalizados com COVID-19", fora de testes clínicos. Agora, para que o remédio possa entrar no protocolo sanitário do país, os testes científicos completos terão de ser aguardados e o uso emergencial não será mais liberado. Ainda assim, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse hoje que continuará enviando hidroxicloroquina ao Brasil, após ter doado já 2 mil doses ao seu adimirador, presidente Jair Bolsonaro.  

A OMS anunciou também que deverá tomar uma decisão sobre a manutenção ou não dos testes sobre o remédio. A agência mundial vem fazendo testes com o produto, apesar de já terem informações de que o remédio deixa sequelas e pode não conduzir a cura. 

Um estudo feito com 821 pacientes dos Estados Unidos e Canadá não encontrou prova de eficácia do uso da hidroxicloroquina na prevenção da Covid-19. A pesquisa foi publicada em 3 de junho, na revista científica 'The New England Journal of Medicine'.

O remédio usado para o tratamento da malária é uma das esperanças no caso do coronavírus. Mas, segundo a OMS, até hoje não existem evidências científicas de que possa gerar benefícios.

O governo brasileiro chegou a comemorar a decisão da Casa Branca de destinar ao Brasil duas milhões de doses do remédio, enquanto o assessor de Jair Bolsonaro, Arthur Weintraub, sugeriu que um tribunal de Nuremberg fosse estabelecido contra as pessoas que se recusaram a receitar o remédio. 

O Itamaraty ainda não respondeu se a doação será mantida. A dúvida é se Trump quer manter as doações ao Brasil para usar brasileiros como uma espécie de cobaias humanas aos testes de eficácia do remédio defendidos por ele, e respectivamente, por Jair Bolsonaro.  

Fonte: UOL