21 de abril de 2021
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Extratos bancários confrontam declarações de Cunha sobre contas na Suíça

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A investigação que apura a movimentação de contas na Suíça, do presidente da Câmara Eduardo Cunha, encontrou em extratos de suas contas, que contrariam a versão apresentada pelo peemedebista de que, após 2011, os recursos não foram movimentados.

De acordo com os extratos, Cunha movimentou cerca de 1,3 milhão de francos suíços (US$ 1,3 milhão) em 2014, pouco antes de encerrar a conta. O valor equivale a um depósito na conta, feito em 2011 por meio de cinco transferências, por João Augusto Henriques, lobista supostamente ligado ao PMDB. 

Investigado na Operação Lava Jato, Henriques disse em depoimento ao Ministério Público Federal que o dinheiro teria sido desviado de um contrato da Petrobras para a exploração de petróleo em Benin, na África.

No último dia 6, Cunha afirmou que só soube do depósito um ano depois de o dinheiro aparecer na conta e, como a origem era desconhecida, orientou o truste (entidade legal que administra propriedades e bens em nome de um ou mais beneficiários mediante outorga) a deixar o dinheiro parado, sem movimentação. “O truste nem sequer aplicou na taxa de juros mínima. Qualquer ativo adicional precisa ser contratado, até porque o truste não quer ser associado a uma possível lavagem de dinheiro”, afirmou Cunha.

Atividade nas contas
Apesar de Cunha negar ter usado o dinheiro, os extratos mostram que, em 10 de janeiro de 2014, a conta da empresa offshore Orion SP, da qual ele é beneficiário, movimentou 387 mil francos suíços para compra de ações da Petrobras. Três dias depois, a conta converteu a quantia em US$ 362 mil e os depositou em conta no banco Julius Bär. 

Ainda de acordo com os extratos, foram transferidos da mesma conta 970 mil francos suíços à empresa Netherton Investiments PTE Ltd., em Cingapura. Segundo investigadores suíços, Cunha é o único beneficiário da conta dessa empresa.