20 de outubro de 2020
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PEGADINHA CRIMINOSA

Fake news da campanha sucessória em MS começa com rede social em Costa Rica

Beneficiário da notícia falsa seria o adversário do candidato apoiado pelo prefeito Valdeli Rosa

Com apoio e empenho do prefeito Valdeli dos Santos Rosa (MDB), que o indicou na expectativa de fazê-lo seu sucessor, o candidato emedebista Leandro Bortolazzi conheceu um inimigo extra na disputa: as notícias falsas. Por meio de uma rede social, o Facebook, Costa Rica se tornou a primeira cidade de Mato Grosso do Sul a servir de cenário para a experiência subterrânea e nada republicana das fake news.

Uma página no Facebook, batizada de "Eleições 2020 - Empate em Costa Rica", chamou as atenções dos habitantes e, principalmente, dos eleitores, principalmente porque apresentava dados relativos à sucessão local e mostrava índices de intenções de voto colocando Bortolazzi tecnicamente empatado com o candidato do PP, Cléverson Alves dos Santos. 

A desconfiança surgiu de imediato, já que a população, melhor conhecedora da temperatura e das tendências políticas do município, sabia não ser verdadeira a informação, até porque uma das pesquisas recentes, feita em abril, trazia o candidato do MDB com folgada vantagem sobre Cléverson Santos. O caso despertou acirrada polêmica e seus efeitos levaram a Justiça Eleitoral a intervir.

Por decisão do juiz eleitoral Francisco Soliman, a pesquisa falsa foi retirada do Facebook e as demais providências previstas em lei efetivadas. Segundo o magistrado, a publicação das fake news constituía grave transgressão e, entre outros impactos, causaria prejuízos diretamente ao candidato do MDB. O juiz interpreta aquilo que a sociedade lê, com autoridade: os números falsos de uma pesquisa podem induzir a erro os eleitores que votam com as pesquisas ou são seduzidos pelas candidaturas que apresentam crescimento ou estão na liderança.

Com isso, e ainda que não seja o responsável pela difusão das fake news que "alavancam" sua pontuação, o candidato do PP pode estar colhendo o prejuízo que seria depositado na conta do adversário se colasse a divulgação em rede social de números de uma pesquisa que nunca existiu.