17 de setembro de 2021
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PARALISAÇÃO | BRASIL

Funcionários dos Correios podem aderir greve nacional dos servidores públicos

Sindicato regionais tratam da campanha salarial em assembleia e decidem hoje (17.ago.2021) se param por 24h amanhã (18.ago)

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Através dos sindicatos regionais, ligados à Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e Similares (Fentect), os funcionários do setor devem deliberar nesta 3ª feira (17.ago.2021) a adesão à greve nacional dos servidores públicos, contra a reforma administrativa, marcada para amanhã (18.ago.2021). 

Também a campanha salarial até o fim do biênio de 2022 deve começar a ser debatida hoje (17.ago). O braço sul-mato-grossense do Sindicato dos Trabalhadores nos Correios, Telégrafos e Similares, por exemplo, tem Assembleia Geral Ordinária, marcada para às 18h30, como aponta a presidente do Sintect-MS, Elaine Regina de Souza Oliveira. 

"Estamos na campanha contra a privatização dos correios, o PL 591, que já foi aprovado no Congresso, foi para o Senado e estamos fazendo lobby junto aos senadores, então estamos nessa pauta. E também da nossa campanha salarial", explica. 

Ela revela que nessas duas lutas, o Sindicato segue em negociação salarial. "Estamos em negociação salarial, nossa data-base é 1º de agosto. Os Correios pararam de negociar e a gente pediu a mediação inclusive do TST (Tribunal Superior do Trabalho), que deve iniciar essa semana. Aí estaremos fazendo assembleia em todos os sindicatos hoje, a nível de Brasil. Assim, será decidido pela categoria na assembleia de hoje se vai aderir à paralisação de 24 horas", comenta Elaine. 

Com o debate, surge ainda a possibilidade de convergir na paralisação nacional dos servidores públicos. "Decidir se estaremos na paralisação, junto com os servidores, na pauta contra a reforma administrativa, esse ataque à eles que afeta toda a população também", comenta a presidente do Sintect-MS. 

Sobre a reforma administrativa, com o PL 591 de 2021 - de privatização da empresa pública - aprovado na Câmara dos Deputados, agora o Projeto de Lei segue para o Senado.

"A privatização vai prejudicar toda a população, principalmente das cidades do interior e mais distantes. Os Correios, como empresa pública, tem obrigação de estar em todos os 5.570 municípios do país, prestando um serviço de qualidade e fazendo seu papel social", comenta o Secretário de administração e finanças do Sintect-MS, Wilton dos Santos Lopes. 

Sob o ponto de que a empresa privada visa primeiramente o lucro, Wilton aponta que caso seja privatizado, os pontos mais distantes serão desassistidos no serviço, ou atendidos somente por um preço muito elevado, afirma o secretário, que ressalta ainda outros pontos da empresa pública que podem se perder com a privatização. 

"[Os correios], como empresa pública, atua em vários segmentos fazendo o papel social, em catástrofes, como a de Brumadinho (MG), quando tem esses deslizamentos é o Correios que faz o transporte de donativos arrecadados em campanhas, sem custo nenhum. É ele quem transporta os livros didáticos, através do programa FNDE; também as urnas eletrônicas", comenta Wilton. 

Com 19 anos de Correio, sendo 15 desses na diretoria do Sintect-MS, a presidente que exerce seu segundo mandato diz ainda que esses momentos estão sendo os mais difíceis. 

"A gente vê um brutal ataque na questão da privatização. A gente fez um trabalho na questão do Congresso do Estado, conseguimos cinco deputados federais votando contra, mas a nível nacional não conseguimos a maioria”, afirma. 

Ela contextualiza que, hoje, vários senadores estão se posicionando contra a privatização, outros dizendo que não é o momento de se discutir e que a privatização dos Correios vai trazer prejuízo, principalmente, para os pequenos municípios e cidades mais remotas. “E aqui no Estado estamos buscando agenda com nossos senadores, desde 2019, a gente vem dialogando, também com os deputados antes. Dos três, a Simone Tebet é quem se posicionou contra e fez inclusive vídeo com esse posicionamento”, salienta. 

Elaine revela busca agenda, presencial ou virtual, com Tebet para agradecer o apoio, e disse que o senador Nelsinho Trad não se posicionou e que Soraya Thronicke já se mostrou a favor da privatização, mas que ainda assim busca agenda com ambos, para mostrar e valorizar o trabalho dos Correios.