18 de abril de 2021
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Eleições

Grandes eleitores assumem papéis decisivos no último mês de campanha

O governador Reinaldo Azambuja (PSDB); os ex-governadores André Puccinelli (PMDB) e Zeca do PT; o ex-prefeito de Campo Grande, Nelson Trad Filho; e a senadora Simone Tebet (PMDB) seriam, em princípio, os principais eleitores de luxo da atual disputa nos 79 municípios de Mato Grosso do Sul. No quadro político guaicuru, estes cinco têm na prática as condições de chegar em 2018 prontos para disputar os cargos majoritários (Governo e Senado).

 

É evidente que outras peças desse tabuleiro podem adquirir ou imaginam possuir as credenciais para brigar nessa arena. Políticos ou não há outras alternativas para testar, como o senador Waldemir Moka (PMDB) e o presidente da Federação das Indústrias (Fiems), Sérgio Longen. No entanto, as cartas continuam sob influência maior de quem já dispõe de combustível político e eleitoral para seguir voando nos próximos dois anos.

 

Por causa disso é que a presença de cada uma dessas lideranças no processo eleitoral em curso torna-se determinante para seus planos. Espera-se disputas renhidas e traumáricas em vários municípios, dos maiores aos menores. Em Campo Grande, Dourados, Três Lagoas, Corumbá e Ponta Porã - os cinco mais populosos dos colégios eleitorais sulmatogrossenses - concentram-se as atenções de Azambuja, Puccinelli, Zeca, Nelsinho e Simone. 

 

O tucano é um pretendente natural à reeleição, enquanro Puccinelli e Zeca não descartariam tentativas de voltar a despachar na Governadoria ou realizar o sonho de ostentar um mandato senatorial. Nelsinho pode até reduzir o tamanho do projeto e repetir-se com um mandato de deputado estadual, mas nda o impede de aspirar a cargos mais elevados. E Simone - que já foi vice-governadora e não conseguiu vingar como preferida para suceder Puccinelli -, tendo mais quatro anos disponíveis no Senado, entenderia nada custar o empenho de disputar o governo.

ANDANÇA - A contingência manda: para pavimentar a estrada que leva a 2018 e otimizar o cenário de suas expectativas, os cinco grandes eleitores precisam eleger os seus candidatos ou obter o melhor resultado possível nas disputas municipais. Em Campo Grande, Puccinelli ficou sem uma candidatura de seu agrado ou de seu time para alavancar, mas pode abrir uma janela de nova relação com Marquinhos Trad, que trocou o PMDB pelo PSD mas deixou a porta aberta para que um apoio dessa dimensão possa entrar. Desafetos, sim, mas igualados na necessidade de oxigenação política.

 

Nelsinho tem um panorama relativamente mais favorável, pois coordena a campanha de seu irmão Marquinhos, líder das pesquisas registradas e divulgadas. O problema é não saber até onde vai o fôlego da concorrente Rose Modesto, a partir do momento em que a tucana tiver a seu lado, fortemente engajado, o governador Reinaldo Azambuja. Ganhar em Campo Grande é quase obrigação de quem sonha com o sonho maior de daqui a dois anos. Perder pode ser um golpe demolidor. 

 

Simone e Zeca seriam na capital do Estado apenas ilustrações prestigiadas de campanhas em que se meteriam para conservar o que já possuem, sem a pretensão de fazer de seus protagonismos um ganho excepcional para o próximo desafio das urnas. Simone vive dilema semelhante ao do correligionário Puccinelli: com o PMDB em papel secundáio e sem uma  candidatura de seu agrado, a emoção de ambos é mais calibrada.

Em Dourados, Corumbá e Ponta Porã Azambuja investiu politicamente, e pesado, para dar musculatura ao projeto de poder do partido, atraindo filiações de olho na sucessão local. Assim, atraiu para seu ninho partidário os agora tucanos Geraldo Resende, Ruiter Cunha e Helinho Peluffo, deixando o PT e o PMDB sem candidaturas. Em Três Lagoas, Ângelo Guerreiro, do PSDB, conta com a ausência do PMDB na disputa para avançar, mas sabe que em eleição não se brinca e por isso exige a presença assídua de Azambuja em seu palanque.

 

SETE LÉGUAS - Nesses municípios, Zeca, Puccinelli, Nelsinho e Simone precisam de botas sete léguas para fazer a lição de casa e não permitir que o tucanato siga tranquilo e ditando o ritmo. Na sucessão corumbaense Zeca deve ficar com o prefeito Paulo Duarte (PDT), candidato à reeleição, enquanto Nelsinho, que é o presidente regional do PTB, leva seu apoio a Marcelo Iunes, seu correligionário e companheiro de chapa de Ruiter. 

 

Em Dourados, Resende vê a cada dia a necessidade imperiosa de ter apoio redobrado das lideranças tucanas para responder ao duro desafio de uma concorrência que tem a candidata do PR, Délia Razuk, impulsionada pelo cardeal-mor da legenda, Londres Machado,e o peemedebista Renato Câmara, respirando melhor com a companhia de Puccinelli e de Zeca, uma solução que pôs PMDB e PT no mesmo palanque. Em Ponta Porã, Azambuja vai de Peluffo, enquanto Puccinelli abraça o peemedebista Chico Gimenez e Zeca vai na onda de Ludimar Novais, o prefeito do PDT que busca a reeleição.