01 de dezembro de 2021
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Índios de todo país lançam na ALMS campanha de boicote ao agronegócio

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Aproximadamente 130 representantes de povos indígenas de várias regiões do Brasil estão na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul para lançar o boicote à compra de produtos do agronegócio, empunhando o mote de que a soja e a carne do Estado estão manchadas com sangue índio.Estão presentes nessa delegação Hjomens e mulheres dos povos Terena, Guarani, Caiuá, Kniknaw, Pataxó, Apurinã e Atikum, entre outros.

A Mesa Diretora da AL abriu a tribuna para o pronunciamento de uma das mais destacadas lideranças do movimento, Sônia Guajajara, coordenadora-executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil. Ela disse que além de lançar a campanha o grupo que veio ao Estado também está prestando apoio à CPI do Genocídio, instituída pelos deputados estaduais para apurar o assassinato de lideranças de várias tribos, e pedindo mobilização contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215, que transfere do executivo para o Legislativo a atribuição de demarcar terras indígenas.

Em análise no Congresso Nacional, se for aprovada a PEC 215 representará, da forma como está redigida, um duro golpe nas expectativas de demarcações de áreas que os índios reclamam e estão sob domínio de fazendeiros. A CPI do Genocídio só foi aberta em Mato Grosso do Sul depois de intensa pressão dos movimentos indigenistas e da Igreja contra outra comissão parlamentar de inquérito, a instaurada para investigar as atividades do Conselho Indigenista Missionário (Cimi). Ligado à Igreja Católica, o Cimi é acusado pelos ruralistas de financiar a ocupação de terras pelos índios.