22 de abril de 2021
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Lama Asfáltica: em escuta telefônica, PF grava servidores estaduais negociando pagamento "POR FORA"

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Mais um áudio de escutas telefônicas gravados pela Polícia Federal dentro da Operação Lama Asfáltica revelam detalhes de como funcionava suposto esquema de desvio de dinheiro público por servidores estaduais.

Em 22 de dezembro de 2014, a Polícia Federal, realizou uma escuta telefônica, com autorização judicial, de conversa entre dois funcionários do governo do Estado, em que eles falavam abertamente de supostos pagamentos feitos “por fora” para servidores públicos.


Conforme relato da conversa, um dos servidores identificado como Marquito pela Polícia Federal liga para seu interlocutor que atua na Secretaria de Fazenda para dar explicações a respeito de uma possível “gafe” cometida pela chefe de gabinete do então governador André Puccinelli (PMDB), identificada por eles como Mara.

Na conversa, Marquito explica ao interlocutor que Mara teria confirmando que havia funcionários recebendo “por fora”, porém, momentos depois, ele reitera que na verdade teria sido uma outra funcionária, identificada por ele como Glauce a verdadeira responsável pelo “estrago” e por ter revelado suposto esquema.

Ainda no diálogo gravado pela Polícia Federal, os dois falam de possível esquema de pagamento “por fora”. “Todo mundo aqui recebe ‘POR FORA’”, diz Marquito durante conversa. Em outro momento, ele relata a seu interlocutor que Glauce teria ligado para ele preocupada depois de receber, suposta ligação de Mara em que ela a alertava sobre fazer tudo “por fora da Secretaria de Fazenda.”

Os áudios que retratam este diálogo que revela possível esquema de desvio de dinheiro público, praticado, supostamente, por servidores da administração estadual, foram gravados pela Polícia Federal dentro da Operação Lama Asfáltica, que investiga irregularidades em contratos firmados pelo governo do Estado e pela Prefeitura de Campo Grande com empreiteiras, como a Proteco Contruções Ltda, de João Amorim. A Lama Asfáltica acabou resultando em outra operação, denominada Coffee Break, que está em andamento e é conduzida pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado).

A Coffee Break investiga possível compra de votos de vereadores da Capital para cassar mandato do prefeito Alcides Bernal (PP) em março de 2014. Além de João Amorim, também são alvos da Coffee Break: João Roberto Baird, dono da Itel Informática, prefeito afastado Gilmar Olarte, presidente da Câmara de Vereadores da Capital, afastado do cargo por ordem judicial, vereador Mario Cesar (PMDB), além dos vereadores Edil Albuquerque (PMDB), Paulo Siufi (PMDB), Jamal Salém (PR), Edson Shimabukuro (PTB), Airton Saraiva (DEM), ex-vereador Alceu Bueno, Carlão (PSB), Gilmar da Cruz (PRB) e Chocolate (PTB).

Em setembro deste ano, Amorim e Gilmar Olarte tiveram ordem de prisão decretada pelo desembargador Luiz Claudio Bonassini que acatou pedido do Gaeco. Amorim permaneceu pouco mais de 34 horas preso depois de conseguir no STJ (Superior Tribunal de Justiça) habeas corpus. Olarte ficou preso por cinco dias, prazo determinado pela Justiça.

Depois de ouvir depoimento de Olarte, que durou mais de três horas, e de receber laudos da perícia realizada em 17 celulares dos vereadores, de Olarte e empresários, apreendidos pelo Gaeco, o grupo segue com investigação confrontando informações obtidas dos celulares com dados bancários dos investigados e com depoimento de Olarte.