19 de junho de 2021
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GOVERNO FEDERAL

Logística fraca: Pazuello confirma que Bolsonaro quer substituí-lo

Ministro está no centro de nova crise relacionada à provável troca de comando no Ministério da Saúde

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O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, confirmou nesta segunda-feira (15.mar) que "o cargo é do presidente da República", e que Jair Bolsonaro está pensando em substituí-lo. Segundo Pazuello, o presidente está avaliando nomes e, caso decida por sua saída, a transição será feita de "forma correta". Pazuello disse ainda que não pedirá para sair. — Eu não vou pedir para ir embora. Não é da minha característica. Isso não é um jogo, uma brincadeira, "quero ir embora". Isso é sério, é o país, uma pandemia, o Ministério da Saúde, salvar vidas — argumentou. 

Bolsonaro conversou na tarde de hoje com o médico Marcelo Queiroga, no Palácio do Planalto. O cardiologista se tornou o principal nome para substituir o general Eduardo Pazuello no comando do Ministério da Saúde.

O ministro está no centro de nova crise relacionada à provável troca de comando no Ministério da Saúde. O aumento no número de casos e mortes por Covid-19 e o impasse da vacinação no país elevaram o desgaste do ministro. Pazuello chegou a divulgar cronogramas divergentes em relação à disponibilização de doses para vacinação no país.

No domingo, o presidente Jair Bolsonaro se reuniu com a médica Ludhmila Hajjar, cotada para assumir o ministério, mas ela declinou do convite. Pazuello participou da reunião, que durou cerca de quatro horas. Nesta segunda-feira, em entrevista à CNN, Ludhmila afirmou que não aceitou o cargo por não ter encontrado "convergência" com Bolsonaro.

Pazuello não obteve sucesso na missão que assumiu. O presidente do conselho de secretários estaduais de Saúde, Carlos Lula afirmou que, depois de dez meses de gestão de Eduardo Pazuello, boa parte do grupo perdeu a paciência com o ministro. Ele diz que os sucessivos erros da pasta minaram a credibilidade no general, que teve um começo elogiável, sendo especialista em logística acabou cometendo erros impensáveis, como enviar para o Amapá uma carga de 78 mil doses do imunizante Oxford/Astrazeneca que deveria ser destinada ao Amazonas.  — Estamos perdendo a esperança. Não esperava chegar em março num colapso. Hoje tem 25 dos 27 estados em situação gravíssima. Não há certeza do cronograma do ministério, todo dia diminui um pouco o número planejado de doses. Está todo mundo muito esgotado. A gente olha pra frente e não sabe o que vai ser amanhã —, disse Carlos em entrevista à Folha. 

Sob o comando de Pazuello o Ministério da Saúde admitiu que sabia do “iminente colapso do sistema de saúde” do Amazonas por conta do novo coronavírus dez dias antes de a crise estourar. A informação faz parte de um ofício encaminhado pela Advocacia-Geral da União (AGU) ao Supremo Tribunal Federal (STF).
No documento, a AGU diz que o Ministério da Saúde fez reuniões entre os dias 3 e 4 de janeiro com autoridades locais, quando detectou que o sistema de saúde do Amazonas estava à beira do colapso. No dia 14, começou a faltar oxigênio hospitalar no estado, afetando pacientes internados em UTIs. Só aí o governo anunciou a transferência de pacientes do Amazonas para outros estados. 

Entre erro mais grosseiros como: testes parados em um armazém, opção pelo frete mais lento para seringas, demora para compra de seringas, vaivém de vacinas da Índia, menores de idade listados como vacinados, foram situações que fritaram o ministro que desembarca do Governo ainda nessa semana, se seguir a tendência das mudanças já realizadas por Jair Bolsonaro.  

FONTE: O GLOBO.