16 de abril de 2021
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DECLARAÇÃO

Luiz Henrique Mandetta resume: "O vírus se espalha de Ferrari, as vacinas chegam de carroça"

Mandetta tornou-se personagem central nos primeiros meses de pandemia ao divergir da postura do presidente Jair Bolsonaro, que minimizava a força da doença

O ex-ministro da Saúde, sul-mato-grossense Luiz Henrique Mandetta (DEM), que comandou a pasta nos meses iniciais da pandemia, vê o País como uma nau sem rumo, o Sistema Único de Saúde (SUS) destruído e a situação do País cada vez mais grave. "A cepa mais transmissível anda de Ferrari. Já a campanha de vacinação vai de carroça", disse em entrevista ao Estadão.

O ex-ministro afirmou que percebeu a gravidade da doença durante o Fórum de Davos, em janeiro de 2020, quando viu a cúpula da Organização Mundial da Saúde (OMS) "rachada" sobre declarar ou não uma emergência global. Para ele, a demora da entidade em confirmar a pandemia atrasou ações do Brasil contra o vírus.

Mandetta tornou-se personagem central nos primeiros meses de pandemia ao divergir da postura do presidente Jair Bolsonaro, que minimizava a força da doença. O ex-ministro afirma que alertou o chefe do Executivo sobre o tamanho da crise quando o governo confirmou o primeiro caso no Brasil, na mesma semana em que o sistema de saúde da Itália entrou em colapso. O presidente, porém, estava na "vibe do Trump" e tratou com desdém os alertas, afirmou Mandetta, em referência ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Bolsonaro demitiu Mandetta em 16 de abril. O ex-ministro disse que não faria nada diferente no cargo. Não há arrependimento nem mesmo por liberar a primeira orientação de uso da cloroquina em pacientes da covid-19, droga sem eficácia comprovada no combate contra a doença.

O ex-ministro afirmou que vai participar "ativamente" das eleições de 2022, "como eleitor, cidadão ou candidato", mas que estará em  caminho diferente da "esquerda equivocada" e do "Bolsonaro desequilibrado". 

FONTE:  VEJA A REPORTAGEM DO ESTADÃO.  

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