16 de agosto de 2022
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ELEIÇÕES 2022

Manifestações 'flopadas' de Bolsonaro a Lula dão um recado

A 5 meses das eleições, brasileiro quer proposta, não 'politicagem'

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Jair Bolsonaro (PL) e Lula (PT) receberam no 1º de maio de 2022 uma mensagem do povo brasileiro: apresentem suas propostas de governo e deixem dessa "lenga, lenga politiqueiro". Nem um, nem outro impolgaram os 'atos' pró qualquer coisa que estavam marcados para o Dia do Trabalhador.  

O presidente, não impolgou para o atos contra o Supremo Tribunal Federal (STF). Bolsonaro esteve presente em Brasília e falou com o público em São Paulo por vídeo. Na Praça dos Três Poderes, um grupo reduzido de manifestantes recebeu o presidente com cartazes pedindo intervenção militar e o fechamento do Supremo. Bolsonaro ficou no local por dez minutos, acenou e foi embora sem discursar. Já o ato em São Paulo, mais encorpado, era em desagravo ao deputado bolsonarista Daniel Silveira (PTB-RJ), condenado pelo STF e indultado pelo presidente. Em vídeo, Bolsonaro afirmou que seu governo “acredita em Deus, respeita as autoridades, defende a família e deve lealdade a seu povo". 

As palavras de ordem contra o Supremo foram foram rebatidas pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que as classificou nas redes sociais como “anomalias graves”. 

Os ministros do STF não esconderam a felicidade com a baixa adesão às manifestações bolsonaristas. Parte dos magistrados sequer chegou a acompanhar pela televisão o andamento dos protestos. Para os organizadores, o baixo empenho de Bolsonaro contribuiu para o esvaziamento. 

A baixa adesão, porém, não foi problema só de Bolsonaro. O ex-presidente Lula (PT) deveria discursar às 13h num evento de centrais sindicais pelo 1º de Maio, em São Paulo. No entanto, como havia pouca gente no local, ele e seus assessores preferiram transferir o discurso para as 15h50, depois de uma apresentação de Daniela Mercury. Lula também ficou incomodado com pedidos de voto explícitos feitos nos discursos, uma das raras violações que a Justiça Eleitoral tem punido na pré-campanha. “Eu ainda não sou candidato, só dia 7 eu vou ser pré-candidato”, disse ao público em frente ao Estádio do Pacaembu. “Mas se preparem porque alguém melhor do que esse presidente [Bolsonaro] vai ganhar as eleições”, anunciou Lula. 

O ex-presidente aproveitou para se desculpar por uma gafe cometida na véspera, quando criticou a “falta de sentimento” de Bolsonaro dizendo que o presidente “não gosta de gente, só gosta de policial”. “Quero aproveitar e pedir desculpa aos policiais desse país, porque, muitas vezes, cometem erros, mas muitas vezes salvam muita gente do povo trabalhador”, disse, ontem. 

Quem gostou da boa nova foi o 3º colado nas pesquisas eleitorais, Ciro Gomes (PDT), que celebrou o 1º de Maio na sede do partido, em Brasília, numa homenagem ao centenário de Leonel Brizola (1922-2004), fundador da legenda. O ex-ministro chamou a atenção para os problemas que os trabalhadores enfrentam hoje, como inflação, desemprego, inadimplência e informalidade. Aliás, Ciro e Lula são os únicos que estão preocupados com os problemas do País, Bolsonaro está agarrado a um discurso pró-liberdade, mas se esquece do alimento à mesa do cidadão.