27 de fevereiro de 2021
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Lava Jato

'Merecia mais respeito neste país', diz Lula após prestar depoimento à Polícia Federal

"Lamentavelmente preferiam usar a prepotência, a arrogância, o show de pirotecnia. É lamentável que uma parte do Judiciário esteja trabalhando com a imprensa. Eu merecia mais respeito neste país", com essas palavras o ex-presidente Lula falou à imprensa no início da tarde desta sexta-feira (4), na sede do Partido dos Trabalhadores, em São Paulo, após prestar depoimento à Polícia Federal três no escritório da PF no Aeroporto de Congonhas, na zona sul paulistana.

Lula criticou a imprensa, mas em seguida ponderou e disse que a críticas não era aos jornalistas, mas a alguns veículos de comunicação. O ex-presidente criticou o Poder Judiciário e se disse magoado, ultrajado com condução coercitiva. Lula também criticou o teor do depoimento e resolveu resgatar sua biografia, desde infância até eleição como presidente do Brasil como forma de defesa.

Depois de criticar a maneira como foi levado a prestar depoimento e criticar Ministério Público estadual de São Paulo, o ex-presidente fez uma espécie de convocação aos petistas e militantes do partido em todo país e admitiu, publicamente, que deve ser candidato à Presidência da República em 2018. Lula ainda declarou que o PT precisa reagir à Lava Jato. "Pensei que tudo estava acabado, mas não está, temos que lutar e a única forma é não ter medo. Podem me chamar onde for, vou andar por todo esse país e vamos andar de cabeça erguida", disse do ex-presidente.

Na manhã desta sexta-feira (4), o ex-presidente foi levado por policiais federais, que chegaram por volta das 6 horas ao apartamento do petista em São Bernardo, para prestar depoimento por ordem de condução coercitiva autorizada pelo juiz federal Sergio Moro. A PF também cumpriu mandados na casa do filho do ex-presidente. Por enquanto, não há pronunciamento oficial da presidente Dilma Rousseff (PT), porém, informações de bastidores dão conta que Dilma convocou ministros par reunião de urgência na manhã de hoje.

O governo além de lidar com esta nova fase da Lava Jato que investiga diretamente a figura do ex-presidente Lula em suposto envolvimento com esquema de corrupção na Petrobras também precisar apagar o incêndio provocado com divulgação, nesta quinta-feira (3) de suposta delação premiada do senador Delcídio Amaral, que teria citado tentativas de Dilma de atrapalhar a Lava Jato e atuar a favor de alguns investigados. 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que sejam suspensos os procedimentos e as diligências realizadas na manhã desta sexta-feira (4) no âmbito da operação Aletheia, da Polícia Federal (PF). O pedido foi feito nos autos da Ação Cível Originária (ACO) 2833, que questiona um suposto conflito de competência entre os Ministérios Públicos Federal (MPF) e o de São Paulo (MP-SP) em investigações contra o ex-presidente.

Defesa 

A defesa do ex-presidente apresentou pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender a Operação Aletheia, deflagrada nesta sexta-feira (4) como 24ª fase da Lava Jato.

Segundo informações do site do STF, a defesa argumenta que a condução coercitiva usada na operação é desnecessária, pois Lula já prestou um depoimento à PF quando foi notificado em inquérito policial que corre em Brasília. 

Os advogados argumentam que a medida não seria imposta sem participação de procuradores da República que conheciam a existência do conflito de atribuições. A defesa reiterou que é “inadmissível” a convivência de duas investigações sobre os mesmos fatos, um instaurado pelo MP-SP e outro por membros do MPF designados para oficiar junto à 13ª Vara Federal de Curitiba. 

A defesa também cita, indiretamente, a publicação da revista IstoÉ que trouxe como matéria de capa nesta quinta-feira (4) um suposto acorde de delação premiada do senador Delcídio Amaral (PT). “Tais vazamentos, como tantos outros, configuram crimes de violação de segredo de justiça jamais investigados”, assinalou.