04 de maro de 2021
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Mesmo sem voto, PMDB pode ser tri no poder

O maior partido político do País só chegou à presidência da Republica com vices beneficiados pelo impedimento dos titulares

Com mais de 2.3 milhões de filiados e 10,9 milhões de simpatizantes catalogados; 66 deputados federais; 18 senadores; sete governadores; quatro vice-governadores; cerca de 8,1 mil vereadores e mais de mil prefeitos, o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) é a maior força partidária com representação política, orgânica e institucional no Brasil.

Apesar dessa extraordinária musculatura eleitoral, em seus 36 anos de existência legal o PMDB nunca conseguiu eleger pelo voto direto um presidente da Republica. As duas vezes em que um peemedebista sentou-se como inquilino principal do Palácio do Planalto foi por força de vacância do cargo pelo impedimento do titular. Nesses casos, quem assume é o vice-presidente, primeiro na ordem constitucional da escala sucessória. 

Este ano, se não houver uma mudança radical de rumo, a correnteza política e congressual pode fazer com que um terceiro mandato presidencial sem voto caia no colo de um peemedebista vice-presidente da Republica.

Em 1984, o senador José Sarney, presidia o PDS, do qual era um dos fundadores. Revoltado com a forma nada comedida do correligionário Paulo Maluf, que atropelava todos os processos para candidatar-se a presidente da Republica no Colégio Eleitoral, Sarney ajuda a criar a Frente Liberal unindo PMDB e PFL, com Ulysses Guimarães e Tancredo Neves. Era o embrião da chapa Tancredo-Sarney, que em 15 de janeiro de 1985 derrotava Maluf, o candidato do PDS, por 480 votos a 180. A disputa teve como eleitores somente senadores, deputados federais e alguns delegados estaduais indicados pela maioria das assembleias legislativas.

No dia 14 de março, menos de 24 horas antes de tomar posse, Tancredo passou mal e teve que ser internado às pressas. Sarney foi convencido a assumir interinamente a presidência, para que o cargo não ficasse vago, até que Tancredo voltasse. Mas ele não voltou. Morreu em 21 abril, a data em que Sarney, o vice peemedebista produzido por um casuísmo da época, assumiu efetivamente o comando da Nação.

Na segunda vez que o PMDB alçou um filiado ao posto de mandatário máximo do Brasil foi  quando Itamar Franco, o vice, substituiu em caráter definitivo o titular Fernando Collor. Acuado por denúncias de corrupção, enfrentando um processo de cassação no Congresso, tendo contra si a maioria dos parlamentares e praticamente toda a opinião publica, Collor resolveu renunciar na véspera de ser votado o pedido de impeachment. Curioso: Itamar também havia pertencido ao PRN, para formar a chapa com Collor, que se elegeram em 1989.

A terceira história de um peemedebista como titular da caneta mais poderosa da Republica pode ser iniciada na primeira quinzena de maio, quando o Senado votar o processo que pede o afastamento da presidenta Dilma Roussef (PT). O vice, Michel Temer, licenciado da presidência do PMDB, não faz mistério algum e informa, sem pudor, que já faz tratativas com interlocutores de várias forças políticas e sociais na montagem do futuro governo. Sua confiança é tanta que até um plano de emergência para garantir a governabilidade está elaborado.