21 de outubro de 2021
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Eleições

Mochi comanda adesão a tucanos e ausência será desastrosa para André

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Pior que ficar quatro anos no sereno até chegar à sucessão estadual em 2018 é perder o controle da legenda que comandou com braço-de-ferro e vê-la arriada no colo do PSDB. Esta situação vem com forte probabilidade no estreito leque de opções políticas de presente e de futuro para o ex-prefeito e ex-governador André Puccinelli. Seu partido, o PMDB, com intervenções vigorosas e pontuais do deputado estadual Júnior Mochi, está com um pé dentro do tabuleiro onde se alojam as forças de apoio à candidatura da tucana Rose Modesto à Prefeitura de Campo Grande.

 

Mesmo numa legenda que é a mais forte, a mais tradicional e melhor estruturada em Mato Grosso do Sul. Mochi parece não ter visto outra saída melhor para o PMDB que a de reatar o romance com o antigo parceiro, só que agora em papéis invertidos. Durante mais de duas décadas quem dava as cartas na suessão local eram os peemedebistas. Em várias administrações o PSDB indicou o vice nas chapas do PMDB. Assim, por exemplo, Oswaldo Possari foi o vice de Puccinelli e Marisa Serrano a vice de Nelson Trad Jr.

 

A tendência de inversão desses papéis se fortaleceu ainda no ano passado, quando Mochi se elegeu presidente da Assembleia Legislativa, com apoio do governador Reinaldo Azambuja. Ele já presidia o Diretório Regional do PMDB e deve ter constatado que o resultado das eleições de 2012 e 2014 enfraqueceu o seu partido, ao tempo que vitaminou o PSDB.

 

Entre a consolidação política e eleitoral do partido liderado por Azambuja e as repetidas e categóricas afirmações de Puccinelli dizendo-se aposentado e fora das disputas, Mochi encontrou o terreno favorável para fertilizar o reatamento do PMDB com o PSDB. Como se sabe, os dois partidos haviam rompido bruscamente nas eleições municipais, quando Azambuja entrou no páreo para garantir o segundo turno. Ficou em terceiro lugar. Mas sua votação no primeiro turno e seu apoio a Alcides Bernal (PP) no segundo foram decisivos para impedir a vitória de Edson Giroto, candidato de Puccinelli.

 

As duas derrotas eleitorais sucessivas, o encolhimento na representação parlamentar, a revoada de lideranças de peso – como a dos irmãos Trad, Marquinhos e Nelsinho, pré-candidatos a prefeito do PSD e PTB, respectivamente –, os desgastes com o festival de denúncias lançados a lideranças graduadas e as amostragens nada estimulantes de pesquisas de intenção de voto favoráveis aos eventuais adversários reduziram muito a competitividade do PMDB na cidade. Para piorar, o partido foi arremetido à desconfortável condição da Puccnelli-dependência para enfrentar os rivais em condições de igualdade e perspectiva real de vitória.

 

Para aumentar a buraqueira na estrutura de possíveis alianças desejadas pelos peemedebistas e sinalizar a tendência pró-tucana, o PSB acaba de anunciar apoio à candidatura de Rose Modesto. A deputada federal Tereza Cristina – que deve a Puccinelli sua ascensão política – bem que ensaiou ingressar no time de pré-candidaturas, porém não foi além do ensaio. 

Com esse arranjo, que ainda depende de confirmação, o cenário da disputa na capital pode dar a Rose o tempero de que necessita para melhorar de vez sua cotação nas pesquisas. Só não será confortável a projeção para o futuro de Puccinelli na política. A não ser que ele, fora da sucessão campograndense, ainda tenha nas mangas um trunfo secreto para arriscar em 2018. Enquanto isso, há que se medir a quantidade e a qualidade das vozes peemedebistas revoltadas com a hipótese de virar par secundário nessa parceria.