25 de janeiro de 2022
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ELEIÇÕES 2022

MS tem três pré-candidaturas em cena e duas no compasso de espera

Em Dourados, presença de Azambuja com Riedel e visita de André a Murilo acendem as imaginações

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A sucessão do governador Reinaldo Azambuja (PSDB) começa a ter seu mosaico desenhado com melhor nitidez. Em princípio, três pré-candidaturas já adentraram na cancha para fazer esta corrida: às do secretário estadual de Infraestrutura, Eduardo Riedel, pelos tucanos; do ex-governador André Puccinelli (MDB); e do prefeito campo-grandense Marquinhos Trad (PSD).

Outros nomes ensaiam semelhante intenção, mas dependem de algumas definições de natureza político-partidária, como o ex-governador Zeca do PT e a deputada federal Rose Modesto (PSDB), em vias de ingressar no Podemos. 

Questões pessoas e conjunturas locais e nacionais - como as disputas domésticas e a sucessão presidencial - recomendam a estas lideranças que pensem duas vezes antes de tomar uma decisão definitiva e fora de hora.

No caso de Rose, mesmo com seu nome ventilado pelo Podemos, ela ainda não assinou a ficha da agremiação e vem lidando com a desconfortável convivência no tucanato entre a pré-candidatura de Riedel e sua disposição pessoal de entrar no páreo. Para isso, precisa escolher outra sigla, que pode ser o Podemos ou o União Brasil, "filho" do casamento PSL-DEM. Mas há outras alternativas, e menos complexas, como a sugestão (que já recebeu) de concorrer ao Senado ou como vice na chapa de André Puccinelli.

O trio de pretendentes que vem correndo o trecho, fazendo contatos e sondagens sobre alianças, possui habilitação política, eleitoral e administrativa para fazer o difícil jogo sucessório. Riedel é o grande coringa na bem-sucedida gestão de Azambuja em dois mandatos. É ele quem coordena o pensamento gerencial e a execução da vitoriosa estratégia de governo, sendo para o partido e aliados uma garantia de continuidade e aprimoramento do trabalho do governador.

Duas vezes governador e duas vezes prefeito, André cristalizou uma liderança sustentada por um robusto e fiel segmento da sociedade, além de contar com a força impressionante do MDB, agremiação que mesmo dinamitada durante anos ainda se mantém como fator diferenciado nas contas dos protagonismos eleitorais do Estado. Por fim, Marquinhos Trad carrega a vitoriosa saga de gestor qualificado e campeão das urnas, acumulando mandatos de vereador, deputado estadual e prefeito, agora na segunda gestão.

Um cenário que se delineia como hipótese provável está nos impactos da corrida presidencial na sucessão sulmatogrossense. Marquinhos Trad, por exemplo, pode ter o seu PSD ancorado na candidatura de Lula e assim ficaria com um pé no palanque do petista. Outras projeções do arco de probabilidades: a ministra Tereza Cristina - que sem o DEM não quer o União Brasil porque é fiel a Jair Bolsonaro - pode tornar-se figurinha carimbada para chapas majoritárias, assim como o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, que sairá da condição de presidenciável para ficar próximo de uma candidatura ao Senado ou a vice-governador.

VISITAS

Esta semana o caldeirão pré-sucessório ferveu em terras sul-mato-grossenses, com desembarques sintomáticos de lideranças estaduais em Dourados, segundo maior município e segundo maior colégio eleitoral de Mato Grosso do Sul. Na segunda-feira (8.nov.21), foi a vez de o governador Reinaldo Azambuja entregar e lançar obras para os douradenses, tendo a seu lado o secretário Eduardo Riedel. Nem é preciso salientar que a agenda, administrativa em princípio, ofereceu nova e repetida chance de Riedel estreitar o contato com lideranças do interior - mais de 30 municípios gravitam em torno de Dourados - e fortalecer sua visibilidade.

Três dias depois, nesta quinta-feira (11.nov.21), estava agendado um encontro no mínimo surpreendente: em sua residência, o vice-governador Murilo Zauith (DEM) receberia André Puccinelli. Uma visita de cortesia, para um almoço com cardápio de receitas afetivas e políticas. Zauith está em processo de restabelecimento e sob cuidados médicos, recuperando-se do drama que viveu durante nove meses internado no Hospital Albert Einstein (SP), após contrair a Covid-19 e uma infecção oportunista.

Agora, com a saúde entrando em forma, o vice-governador exercita o renovado fôlego fazendo uma das coisas que mais gosta: conversar sobre política e desenvolvimento, tema que também está entre os preferidos de seu convívio desta quinta-feira.