27 de outubro de 2020
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ELEIÇÕES 2020

Mulheres estão na linha de frente contra 'tucanos' em Aquidauana

Viviane Nogueira Orro e Taynara Terena. Ambas tiveram seus nomes homologados para representar seus partidos em chapas puras

O projeto do prefeito Odilon Ribeiro (PSDB) de ficar mais quatro anos com as chaves da Prefeitura de Aquidauana tem como principal obstáculo duas chapas adversárias e, com elas, a presença de duas mulheres em papéis de destaque, Viviane Nogueira Orro e Taynara Terena. Ambas tiveram seus nomes homologados para representar seus partidos em chapas puras.

Médica e ex-secretária municipal de Saúde, Viviane é a candidata a prefeita pelo PSD.  Tem como companheiro de chapa o ex-vereador Raimundo Pinheiro, que nas eleições de 2016 alcançou 7.594 votos ou 31,48% do total válido. A índia Taynara Terena é a candidata do PT a vice-prefeita, na chapa do líder comunitário, operário da construção civil e ex-vereador Cipriano Mendes.

Considerada a principal concorrente do prefeito, Viviane é médica nefrologista (rins) e estava trabalhando como plantonista na Santa Casa de Campo Grande. Esposa do deputado estadual Felipe Orro (PSDB) e mãe de um casal de filhos, ela tem a política no histórico do DNA familiar: o pai, Odílson Nogueira, foi vereador e vice-prefeito, enquanto a mãe, Suely, também já exerceu a vereança e foi presidente da Câmara Municipal. 

Os aquidauanenses nunca foram governados por uma mulher em seus 128 anos de fundação. Viviane e Taynara consideram que esta será uma oportunidade histórica para a população quebrar o tabu e provar que a eleição de candidaturas femininas não significa acirrar uma competição, mas ajustá-la à normalidade democrática e das relações humanas. O PT e o PSD são dois dos partidos que mais se destacam no reconhecimento à importância e ao papel da mulher na política, no caso, como candidatas a cargos majoritários.

MUDANÇAS

Em Aquidauana, a escolha das chapas majoritárias para a disputa sucessória não foi um rio calmo e tranquilo.  Diversas manobras - algumas legais, outras nem tanto - fizeram com que as composições ficassem para a última hora. Até às vésperas das convenções, eram cinco as pré-candidaturas. Além de Odilon, Viviane e Ciupriano, eram pré-candidatos o radialista e ex-vereador Armandinho Anache (PP) e o seu correligionário e presidente local da legenda,  Joaquim Passos. Antes de trocar o PDT pelo MDB, o vereador Yussef Saliba também estava entre os pretendentes.

No dia da homologação das candidaturas Armandinho Anache foi surpreendido com a intervenção do diretório estadual do Progressista, impedindo sua candidatura e entregando o destino do partido nas mãos exclusivas de Passos. Ele operou para ficar de vice, contando com o empenho do PSDB para rifar Saliba. Excluído e contrariado, o ex-pedetista resolveu disputar a reeleição.

Na antessala das convenções, dois acontecimentos agitaram o ambiente: os tucanos, que tinham cooptado o PP e rifaram Saliba para entronizar Passos na vice, entraram em polvorosa ao saber que o ex-vereador emedebista Paulo Reis, aliado de Viviane, em audaciosa manobra conseguiu ser indicado pelo MDB para ser o companheiro de chapa de Odilon. E além disso ainda fez parte do MDB votar pela coligação com o PSD, mas a maioria votou no PSDB. Só no dia seguinte, com o veto dos tucanos a Paulo Reis, o PP e o PSDB oficializaram a aliança com Joaquim Passos de vice.