14 de abril de 2021
Campo Grande 33º 22º

POLÍTICA

"Nossa arma é a vacina": "Zero-1" pede que seguidores viralizem após fala de Lula

Baixa popularidade muda estratégia de Bolsonaro, que possibilita compra de vacinas e aparece de máscara no Palácio do Planalto

Logo após o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fazer pronunciamento em que criticou Jair Bolsonaro por sua atuação durante a pandemia, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente, pediu para que seus seguidores no aplicativo Telegram compartilhassem até viralizar uma imagem de seu pai com a mensagem "nossa arma é a vacina".

Bolsonaro criticou durante meses a Coronavac, o principal fármaco na imunização em curso no Brasil, fez pouco caso da importância da vacinação e segue defendendo remédios sem eficácia contra a Covid-19, como a hidroxicloroquina e a ivermectina.

O jornal Folha de S.Paulo mostrou que o presidente recentemente deu início a uma retórica pró-vacina para tentar estancar perda de popularidade causada pelo aumento do número de mortes e pela tímida evolução na imunização da população contra o coronavírus.

"Quero avisar que semana que vem vou tomar minha vacina. E vou fazer propaganda da vacina. Todos tem que tomar. Quero pedir a vocês: não sigam nenhuma decisão imbecil do presidente da República. Tomem vacina", disse Lula em seu discurso nesta quarta-feira (10).

Nesta quarta-feira (10), Jair Bolsonaro (sem partido) sancionou  um projeto de lei que possibilita a compra, pelo governo federal, das vacinas da Pfizer e da Janssen. O presidente liderou uma cerimônia com cenas atípicas no Palácio do Planalto, em Brasília, como ele, seus ministros e auxiliares apareceram usando máscaras de proteção facial –equipamento já questionado pelo próprio mandatário. Bolsonaro costuma dispensar o uso de máscaras em eventos no Planalto.

"O governo federal não poupou esforços, não economizou recursos para atender a todos os estados e municípios", declarou Bolsonaro na cerimônia. O Brasil tem registrado, desde a semana passada, quase 2.000 mortes por Covid por dia, e se aproxima das 270 mil mortes desde o início da pandemia, há pouco mais de um ano.

Essas medidas agora sancionadas por Bolsonaro preveem uma série de autorizações. Empresas privadas poderão comprar imunizantes contra a Covid-19, mas deverão doá-las ao SUS (Sistema Único de Saúde) enquanto estiver em curso a vacinação de grupos prioritários. 

Também autoriza o governo a assumir riscos que poderiam resultar em crimes de responsabilidade civil decorrentes de possíveis eventos adversos na população. Esse item era considerado necessário pelo Ministério da Saúde para avaliar a compra de lotes de vacina da Pfizer.

Além de Bolsonaro, participaram do ato no Planalto o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), os ministros Braga Netto (Casa Civil) e Eduardo Pazuello (Saúde) e o diretor-presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres.
A cerimônia ocorreu pouco depois da primeira entrevista coletiva de imprensa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva após a reabilitação dos seus direitos políticos, em que o petista defendeu a vacinação e conclamou o povo a não seguir "decisão imbecil" do governo.

O presidente Bolsonaro fez uma defesa das ações tomadas no enfrentamento da pandemia, como a assinatura de contratos para a compra de imunizantes e a aprovação do auxílio emergencial.

Ele adotou ainda um tom mais contido e evitou críticas mais fortes às políticas de isolamento social, ao contrário do que fez em ocasiões anteriores.

"O Brasil está fazendo a sua parte, o governo federal tem mostrado o seu trabalho", discursou.