27 de fevereiro de 2021
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Desvio de recursos

Operação Cornucópia: com pré-candidatura de risco, Ruiter vai depor dia 27

Ex-prefeito de Corumbá (22005-2012) e querendo voltar ao poder já com sua pré-candidatura nas ruas, Ruiter Cunha de Oliveira cumprirá no próximo dia 27 uma obrigação que põe seu projeto no desconforto: intimado pela Justiça, ele vai prestar depoimento sobre a acusação de ter chefiado um esquema de desvio de recursos da Prefeitura quando administrou o município. Ruiter está entre as 27 pessoas denunciadas e indiciadas na Operação Cornucópia, realizada pela Polícia Federal em novembro de 2013  para investigar e apurar a drenagem de verbas mediante operações fraudulentas de empréstimos consignados. Os prejuízos aos cofres da municipalidade, à época, foram avaliados em cerca de R$ 15 milhões esquema foi descoberto na gestão do Ruiter.

Não existe nenhum impedimento para que o ex-prefeito lance sua pré-candidatura. Ele está apenas sendo investigado. Porém, no atual ambiente da política brasileira uma simples citação em processos investigativos provoca profundos desgastes e tem desarmado vários projetos eleitorais. É uma situação que, para Ruiter, vai além do constrangimento pessoal e causa sérios impactos de ordem política. Ele saiu do desgastado PT, seu partido de origem, para ingressar numa legenda que procura se fortalecer nacionalmente como símbolo de combate à corrupção, o PSDB. E em Mato Grosso do Sul o grande “padrinho” da mudança partidária de Ruiter e de sua pré-candidatura é precisamente o governador tucano Reinaldo Azambuja.

Ninguém pode afirmar que o ex-prefeito tem culpa no cartório. Entretanto, seus próprios aliados em Corumbá reconhecem: a repercussão negativa da operação policial e do Ministério Publico que investiga Ruitr produz efeitos danosos. Por isso, justifica-se a forte ansiedade dos seus seguidores e dele próprio para que se acelere a tramitação da ação civil publica e as dúvidas em relação aos envolvidos na Cornucópia sejam esclarecidas. Mesmo que a lei da ficha limpa só vete candidaturas de quem já sofreu condenações com sentença transitada em julgado, o simples questionamento de adversários sobre a integridade de concorrentes a cargos eletivos pode causar enormes estragos.

Um dos principais envolvidos no esquema , conforme a PF e o MPE, era Wilson Roberto Fernandes, na época gerente de recursos humanos da administração de Ruiter. Seria ele um dos responsáveis pelo recebimento dos empréstimos logo que os servidores sacavam o dinheiro na boca do caixa. Para fazer essas operações de crédito consignado, os holerites dos servidores envolvidos eram alimentados por informações falsas sobre os rendimentos, para ampliar a margem de captação. As autoridades informaram que esse esquema funcionou entre 2007 e 2012 e só foi descoberto depois da posse de Paulo Roberto Duarte, substituto de Ruiter.
O esquema só  foi descoberto quando funcionários aliciados pela quadrilha deixaram de receber os abonos nos salários e passaram a dever grandes quantias de dinheiro  aos bancos.