26 de fevereiro de 2021
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CARGO SONHADO

Para garantir candidatura, Nelsinho atropela o processo e irrita até familiares

O irmão Fábio Trad critica exclusão de Campo Grande nas prioridades do orçamento da União em 2020

O senador Nelsinho Trad (PSD) pretende reeditar em 2022 a tentativa de conquistar nas urnas o sonhado mandato de governador. Para avançar nesse percurso de quase quatro anos, o parlamentar já trafega com desenvoltura e pressa no cenário pré-sucessório. É uma pressa que mescla acertos - como a troca de legenda (ele era do PTB) - e equívocos pontuais, o mais recente diagnosticado pelo seu próprio irmão, o deputado federal Fábio Trad.

Na condição de coordenador da bancada federal de Mato Grosso do Sul (que tem oito deputados e três senadores), Nelsinho Trad conduziu a discussão e os arranjos do grupo para definir os espaços de Mato Grosso do Sul no campo de metas e prioridades da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e da execução do Orçamento Geral da União (OGU) do próximo ano.

O provisionamento desses recursos – com destinações especificadas de investimentos, fontes, entes repassadores e objetivos (obras) - é antecipado em um ano e precisa constar da planilha orçamentária aprovada pelo Congresso. No entanto, mesmo sendo a capital de um Estado com 79 municípios, ter mais de 900 mil habitantes e possuir um elevado índice de crescimento demográfico, com demandas acumuladas, Campo Grande não recebeu a prioridade que se esperava dentro do mapa e previsão orçamentária que foi elaborado pela bancada.

MUITO ESTRANHO 

Esse “buraco” causou estranheza e preocupou Fábio Trad, o único dos 11 parlamentares que, impedido por razões de força maior, não compareceu à reunião na qual a bancada fechou questão na proposta para o anexo das metas e prioridades em emendas à LDO. Ele, porém, solicitou aos colegas e, principalmente, ao coordenador, que repensem a proposta e façam um ajuste para não deixar Campo Grande de fora. E avisou que, se necessário, recorrerá à Justiça, caso os congressistas não aceitem suas ponderações.

 Há fatores que precisam ser avaliados com objetividade e sensibilidade, raciocina Fábio Trad, para entender e dimensionar porque Campo Grande precisa ser priorizada. É uma cidade que recebe pessoas de todas as partes e disponibiliza sua ampla rede de serviços, como nos casos da saúde e da educação, além de ser um polo atraente para a fixação de quem procura um lugar de oportunidades.

O deputado reforça o argumento observando que entende a necessidade indiscutível de atender os pleitos do interior, até porque em algumas situações isso desafoga a capital. Mas insiste que o ritmo constante de crescimento econômico e populacional acumula as demandas de uma comunidade cada vez mais exigente e isso asfixia as possibilidades do orçamento local, sendo imperativo recorrer a um suporte, que são as frações orçamentárias da União.   

Além das avaliações de Fábio Trad, o voo político que seu irmão quer alçar não leva em conta alguns contextos que podem prejudicar a si, ao seu projeto e até seus eleitores. Em primeiro lugar está o histórico da dívida política que Nelsinho Trad tem com a cidade e a população que lhe deram base sólida e votos para colecionar mandatos de vereador, prefeito, deputado estadual e senador. Foi vereador em três mandatos e prefeito em dois, investiduras que serviram de trampolim para legitimar a sua ascensão à Assembleia Legislativa e ao Senado.

Pesa ainda, como contraponto, a distância que o separa da próxima disputa estadual, que acontecerá só daqui a três anos. Nesse período, Nelsinho terá ainda mais dois ou três exercícios parlamentares para, de um lado, fazer a política afirmativa da candidatura, e de ouro lado trabalhar criteriosamente no aperfeiçoamento das emendas parlamentares de seu mandato e da própria bancada. Fora disso, é preparar-se para o desgaste que pode impactar seu futuro caso a sensação de exclusão pulse no sentimento dos eleitores.