23 de novembro de 2020
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SEGURANÇA NACIONAL

PF chega perto de achar quem financia as manifestações pró-golpe

Alexandre de Moraes quebra sigilos de dez deputados e um senador

Dez deputados e um senador tiveram os sigilos fiscais quebrados por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, no inquérito que apura a organização de financiamento de atos antidemocráticos. A informação foi obtida pelo Estadão nesta 3ª-feira (16.junho). A decisão do ministro, que conduz as investigações, foi tomada no dia 27 de maio. Todos os investigados são ligados ao presidente Jair Bolsonaro. A nova investigação foi aberta a pedidos do procurador-geral da República Augusto Aras, para identificar quem financia as manifestações antidemocráticas que pedem fechamento do Supremo, do Congresso e intervenção militar.

Diferentemente do inquérito das fake news, este não envolve polêmica sobre sua legalidade. Ontem pela manhã, a Polícia Federal cumpriu 26 mandados de busca e apreensão contra 21 pessoas, incluindo empresários, blogueiros, youtubers e o deputado Daniel Silveira, responsável em campanha pela quebra da placa de rua com o nome da vereadora assassinada Marielle Franco. Entre os investigados estão Luís Felipe Belmonte, advogado fazendeiro que organiza e financia o futuro partido Aliança pelo Brasil, o blogueiro-youtuber Allan dos Santos, responsável pelo programa Terça Livre, e o publicitário Sérgio Lima, que desenhou o logo do novo partido e montou o app para coleta de assinaturas da legenda. 

Quem teve o sigilo bancário quebrado: Daniel Silveira (PSL-RJ); Junior do Amaral (PSL-MG); Otoni de Paula (PSC-RJ); Caroline de Toni (PSL-SC); Carla Zambelli (PSL-SP); Alessandra da Silva Ribeiro (PSL-MG); Beatriz Kicis (PSL-DF); Coronel Girão (PSL-RN); José Guilherme Negrão Peixoto (PSL-SP); Aline Sleutjes (PSL-PR); Aroude de Oliveira (PSC-RJ).

Após afirmar na noite de ontem, terça-feira que tomará "medidas legais" para proteger a Constituição, o presidente Jair Bolsonaro voltou a dizer nesta 4ª-feira (17.junho), que considera ter havido "abusos" na ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) para quebrar o sigilo bancário de dez deputados e um senador aliados ao seu governo. Em conversa com apoiadores no Palácio da Alvorada, pela manhã, ele afirmou que está "fazendo o que deve ser feito" e "não será o primeiro a chutar o pau da barraca". Em seguida, acrescentou que em breve tudo será colocado "no seu devido lugar". Uma das apoiadoras se queixou ao presidente dizendo que corre risco de ser presa.

*Com informações da FolhaPress.