21 de abril de 2021
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Eleições 2016

PMDB-PSB: namoro vira compromisso e segue estratégia de André

Pré-candidatos de seus partidos, Márcio Fernandes e Tereza Cristina podem formar a chapa majoritária

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Ainda não está marcada a data do casamento, mas o namoro entre o PMDB e o PSB, que já vinha se arrastando há algum tempo, prospera na arrumação das alianças para a sucessão em Campo Grande. Na noite de sexta-feira, 3, aconteceu o noivado – e no escritório da “noiva”, onde a deputada federal Tereza Cristina recebeu algumas lideranças peemedebistas, entre elas o deputado estadual Márcio Fernandes, o “noivo”.

O “padrinho” da união, ex-governador André Puccinelli, aparentava ser um dos mais satisfeitos entre o restrito grupo de convidados: senador Waldemir Moka, deputados estaduais Júnior Mochi e Eduardo Rocha; e a vereadora Carla Stephanini, todos do PMDB. O deputado estadual Paulo Corrêa (PR) fez uma intervenção meteórica e não demorou a sair, sem esconder uma certa contrariedade.

O NOVO TABULEIRO – A rápida passagem de Corrêa pelo ambiente pode ter dois significados: sentiu-se na desconfortável situação de “penetra” ou traduziu, em um semblante carregado, a frustração dos republicanos, que alimentavam a esperança de ter seu partido como protagonista de chapa majoritária e desatolar de vez do papel de coadjuvante de luxo.

Mesmo assim, o presidente estadual da legenda, ex-deputado Londres Machado, já aplica panos quentes para segurar rebeldias prematuras, embora deva crescer no PR a alternativa de unir-se ao PSDB do governador Reinaldo Azambuja, que tem como pré-candidata a vice-governadora Rose Modesto. E sobram ainda outra via, a ser definida entre o ex-prefeito Nelsinho Trad (PTB) e o seu irmão, o deputado estadual Marquinhos Trad (PSD).

AFINIDADES - A composição com o PSB não é somente um recurso estratégico do PMDB em ambiente municipal. Os dois partidos perfilam na base de sustentação do presidente da Republica em exercício, o peemedebista Michel Temer. O entendimento é tão intenso que Tereza Cristina foi convidada por Temer – e aceitou – para ser sua vice-líder na Câmara. A nova conjuntura nacional de poder, mesmo em caráter provisório, dá ao partido do ex-governador André Puccinelli um novo fôlego para atuar na capital sulmatogrossense e reacender a perspectiva de retomar a hegemonia político-administrativa.

Para seguir em direção a esse objetivo, o PMDB sabe que precisará recompor seu poder de fogo eleitoral e adquirir competitividade para enfrentar uma eleição que se configura como a mais imprevisível e disputada da história da cidade. O partido estará numa concorrência com ao menos três adversários de peso político e alcance eleitoral incontestáveis: Rose Modesto, impulsionada por um currículo de vitórias maiúsculas nas urnas e cacifada pelo governador Azambuja e por um segmento decisivo, o dos evangélicos, que influenciam em ao menos 30% dos votos no município; o atual prefeito, Alcides Bernal, que mesmo desgastado pelos pífios resultados gerenciais permanece, contra as lógicas convencionais, nas primeiras posições de pesquisas de intenção de voto realizadas até agora; e um dos dois irmãos Trad, igualmente muito bem posicionados nas consultas de opinião publica.

Vigora entre os peemedebistas guaicurus sentimentos agudos de sobrevivência, amor-próprio ferido e indignação diante do cenário imposto pelos seguidos insucessos eleitorais de 2012 e 2014, quando seus candidatos (Edson Giroto e Nelsinho Trad) perderam as disputas pela Prefeitura e pelo Governo do Estado. E os dois revezes tiveram em Reinaldo Azambuja o peso que fez a balança pender a favor dos rivais de Puccinelli.

Na sucessão municipal há quatro anos, Azambuja surgiu com uma candidatura de última hora que forçou o segundo turno e deu a Bernal a sobra de votos com os quais sua vitória foi facilitada. Na sucessão estadual, o tucano enfraqueceu o favoritismo do senador Delcídio Amaral, então no PT, e tirou as chances de Nelsinho Trad, candidato do PMDB e de Puccinelli. Além disso, os peemedebistas não engolem a versão segundo a qual o atual governador trabalha em todas as frentes para tirar Puccinelli de cena em definitivo e ainda desmontar a máquina peemedebista no Estado, fazendo das eleições municipais o grande instrumento de chegada para consumar esse objetivo em 2018.

Unir-se ao PSB vem a ser, dessa forma, uma saída natural, que pode combinar questões locais – como a boa relação afetiva e política entre Tereza Cristina e Puccinelli, de cujo governo foi secretária estadual e teve apoio para chegar à Câmara – e a conjuntura nacional, graças ao empoderamento do PMDB. O partido se reanima, assume posições no governo federal que o redimensionam na relação de forças e coloca a concorrência de sobreaviso.

Falta só definir na capital de Mato Grosso do Sul quem será cabeça-de-chapa. A tendência é que a escolha recaia em Márcio Fernandes, com três mandatos e votações sempre crescentes.