14 de abril de 2021
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Pré-candidatura de Rose derruba especulações sobre “Plano B”

Voo tucano está confirmado e contraria quem aposta em reatamento com o PMDB

Não evoluiu ou não tinha bases concretas a versão de que o PSDB e o PMDB estariam dispostos a ressuscitar a antiga parceria que desfizeram em 2012, após 20 anos de união política e eleitoral em Campo Grande. Os tucanos não abrem mão de lançar candidatura própria e vão mesmo disputar a prefeitura em outubro próximo. O sinalizador desse processo tem procedimentos, nomes e oxigênio para o enfrentamento político-eleitoral: Rose Modesto.

Quando pediu para deixar a Secretaria Estadual de Direitos Humanos, Assistência Social e Trabalho (Sedhast) e habilitar-se, como determina a lei, a uma disputa de cargo eletivo, Rose recebia com o “sim” do governador Reinaldo Azambuja o aval para reivindicar o apoio e a indicação do partido. E agora, com a confirmação do lançamento de sua pré-candidatura em um grande ato político, completa-se a sinalização para o voo-solo dos tucanos guaicurus na sucessão campograndense.

O PSDB tem uma profusão de nomes disponíveis. Além de Rose Modesto, fazem parte da fila os secretários estaduais Eduardo Riedel (Gestão Estratégica) e Carlos Alberto Assis (Administração); o vereador João Eduardo Rocha, presidente da Câmara; e os deputados estaduais Felipe Orro, Mara Caseiro e Beto Pereira. Nada de anormal se num quadro assim surgirem alguns esbarrões entre um e outro e a unidade interna sofre o risco de arranhões.

Foi neste cenário que ventilou-se nos bastidores a versão segundo a qual uma remontagem da antiga aliança tucano-peemedebista poderia ser pensada, inclusive com uma receita no mínimo surpreendente, a partir do eventual reatamento entre Azambuja e o líder maior do PMDB: Puccinelli na cabeça-de-chapa e Riedel de vice. Vencido o pleito, Puccinelli poderia em 2018 deixar a Prefeitura para disputar o Senado, com apoio de Azambuja, e Riedel então assumiria a Prefeitura.

Claro, especulações, mas elas dinamizam e temperam a política, porque são produto de um dos mais ativos dons desse meio: a criatividade para criar ou desmontar cenários. A referida projeção - que seria o "Plano B" caso os tucanos considerassem inviável lançar chapa própria - deixou de lado um componente fundamental em toda a engrenagem: o papel que restaria a Rose Modesto. Melhor pontuada nas pesquisas entre os nomes de seu partido, aprovada nos mais complexos desafios políticos, dona de diferenciada capilaridade social, tornou-se uma das referências do protagonismo feminino em Mato Grosso do Sul. Seria um incompreensível e prejudicial recuo dos tucanos.

A candidatura a prefeita não é tratada por ela como questão de vida ou morte. Disciplinada e leal, não criaria problemas se tivesse de abrir mão. Todavia, tem ciência da envergadura do papel que assumiu ao ser reeleita com uma das melhores e mais espraiadas votações entre todos os vereadores em 2012, como companheira de chapa de Azambuja e depois na Sedhast, fomentando ações inclusivas de resultados reconhecidos pelos gestores nacionais dos programas sociais.

Rose deixou a Sedhast bem antes do prazo. Os demais secretários que pretendem disputar cargo majoritário (prefeito ou vice) têm até dois de junho para desincompatibilizar-se. É o que determina a legislação. Só muda o prazo para quem quer se candidatar à vereança, que é de seis meses antes da eleição. Portanto, Riedel e Assis, se quiserem ser candidatos a caros majoritários, podem continuar secretários até 1º de junho.