20 de setembro de 2020
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CORUMBÁ

Prefeito até entra na Justiça para garantir empreguismo em ano eleitoral

Pré-candidato à reeleição, tucano Marcelo Iunes é um recordista na oferta de cargos comissionados

Por determinação do prefeito Marcelo Iunes (PSDB), a Prefeitura de Corumbá ingressou na Justiça com agravo de instrumento pedindo o efeito suspensivo da liminar concedida à ação popular 0801738-58.2020.8.12.0008 movida por Giulianno Roberto da silva Campos Arruda. O prefeito não se conformou com o acolhimento da Vara de Fazenda Publica e de Registros Públicos à ação de Arruda, que se levantou contra a nomeação de seis pessoas para cargos comissionados na administração municipal, ações que a seu ver não passam de contratações políticas e eleitorais.

Segundo a Defensoria Publica, que representa o prefeito nas demandas judiciais, as contratações efetuadas têm caráter exclusivamente técnico e estão amparadas na Lei Complementar Municipal 260/2020. No entanto, os argumentos da defesa de Iunes não resistem ao impacto da realidade: a prática do empreguismo é escancarada e abusiva nesta gestão, conforme se pode conferir em demonstrativos públicos como as denúncias feitas pelo Ministério Publico e os dados do Portal da Transparência.

FÁBRICA DE EMPREGUISMO

Só para ter uma pequena dimensão do que a caneta do poder vem fazendo nas mãos de Marcelo Iunes, que é pré-candidato à reeleição. De acordo com dados no Portal da Transparência, é fácil constatar que a fábrica de empregos no poder publico vem trabalhando dobrado nos últimos três anos, ou seja, desde que o quando assumiu.

Em 2019, revelou-se que a prefeitura corumbaense desembolsou R$ 3.1 milhões para pagamento de 595 servidores comissionados nomeados por Marcelo Iunes. No início do último mandato de Ruiter Cunha – cuja morte em novembro de 2017 abriu vaga para a investidura de Iunes - em janeiro haviam 204 comissionados e a folha deste grupo era de R$ 1 milhão. No último mês da gestão de Ruiter, em outubro, eram 410 os comissionados, cuja folha chegava a R$ 2,2 milhões.

Mal assumiu, em novembro, Iunes já multiplicava o quadro e a legião de contratados sem concurso saltava de 410 para  451. Em janeiro de 2018, apenas três meses depois, Iunes já tinha 467 comissionados, aos quais os cofres públicos pagavam R$ 2,3 milhões. Em 2019, a escalada prosseguiu. Já eram 456 comissionados. 

Quando chegou abril, a folha de pagamentos da prefeitura tinha uma despesa de R$ 2,5 milhões para cobrir os salários de 493 pessoas em cargos de comissão, passando para 500 contratados em julho, depois 533, mais tarde, em outubro, a 565, em seguida a 572 no mês de novembro, quando essa parte das despesas alcançou R$ 2 milhões 896 mil 942,61. E a generosidade do prefeito tucano às custas do dinheiro publico tem outros requintes de perversidade com os contribuintes: a contratação de parentes de primeiro e segundo graus e a oferta de milionários serviços da prefeitura e empresas de familiares, incluídos a sua esposa e irmãos.  

A SUBSTITUIÇÃO

Outra “proeza” de Iunes foi promover a troca de médicos no comando da Santa Casa. Ele contratou um intensivista para atender os pacientes graves, vítimas de Covid-19, no CTI (Centro de Tratamento Intensivo), substituindo o médico Manuel João, remanejado para um setor no qual só atenderá pacientes com os primeiros sintomas da doença. Manuel João recebe até hoje elogios por sua atuação na luta contra a pandemia e agora, a partir de domingo, assumirá seu consultório e estará à disposição  para atender casos suspeitos que precisam ser enviados para tratamento precoce.

 A prefeitura não soube estabelecer uma estratégia eficiente de prevenção e combate ao coronavírus, como se estivesse duvidando da possibilidade de um surto. O resultado: hoje Corumbá está entre os municípios com os maiores números de óbitos e de casos confirmados no Estado.