21 de abril de 2021
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POLÍTICA

Presidente sugere que lockdown pode levar a invasão de supermercados

Afirmação foi dada hoje (11.mar.2021) durante audiência virtual com pequenos e microempresários

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Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a atacar governadores que estão adotando medidas restritivas para tentar conter a disseminação do novo coronavírus,  um dia após ensaiar um tom mais moderado, usando máscara e fazendo uma defesa mais amena de procedimentos ineficazes

A afirmação aconteceu nesta 5ª feira (11.mar.2021), durante audiência virtual com pequenos e microempresários, ao lado do ministro Paulo Guedes (Economia), o presidente disse que "lockdown não é remédio" e que governadores que restringem serviços em seus estados estão encampando uma luta pelo poder.

"Até quando nós podemos aguentar esta irresponsabilidade do lockdown? Estou preocupado com vida, sim. Até quando nossa economia vai resistir? Que se colapsar, vai ser uma desgraça. O que poderemos ter brevemente? Invasão a supermercado, fogo em ônibus, greves, piquetes, paralisações. Onde vamos chegar?" perguntou o presidente. 

Logo em março de 2020 o presidente mencionou pela primeira vez essa possível “risco de saques a supermercados”, que não ocorreu um ano depois. "O caos está aí. Detalhe: se tivermos problemas, que poderemos ter, os mais variados no Brasil, como saques a supermercados, entre outras coisas, o vírus continuará entre nós também", afirmou na época ao falar com jornalistas e criticar ações tomadas por governadores.

Ele citou dois governadores que adotaram medidas do tipo –seu às vezes aliado Ibaneis Rocha (MDB-DF) e seu adversário declarado João Doria (PSDB-SP).

"Nós aqui buscamos salvar empregos e, na ponta da linha, um ou outro, como o de São Paulo, por exemplo, vai para a destruição", afirmou Bolsonaro, logo após Doria anunciar uma "fase emergencial" mais dura de seu plano de combate à pandemia.

O presidente se queixou das medidas de restrição "até para cancelar o futebol", novamente aludindo a medidas anunciadas por Doria.

"Ficamos praticamente um ano em lockdown. E começamos este ano, como estamos vendo em alguns estados no Brasil, novas medidas seriamente restritivas. Até para cancelar o futebol", comentou Bolsonaro, que afirma surgir apenas uma consequência das medidas restritivas: “transformar os pobres em mais pobres”. 

Bolsonaro não larga o discurso de que economia e vida precisam andar de mãos dadas. Disse que, no DF, onde está em vigor um toque de recolher entre 22h e 5h, "toma-se medida, por decreto, de estado de sítio".

Ele ainda jogou a culpa na população, ao dizer que ouviu  “das pessoas que elas querem trabalhar”. "Quem é que rema contra isso daí? Com que intenção? Não vou falar que não tem coração, que coração já demonstrou que não tem. Agora, tem uma tremenda ambição. Parece que tem gente que está lutando pelo poder e só consegue atingir a figura do presidente da República se continuar tomando medidas como essas. Porque ainda grande parte do que acontece no Brasil o pessoal culpa o presidente. Isso eu não posso admitir que continue acontecendo. Porque eles não querem salvar vidas, eles querem é poder", afirmou o chefe do executivo, sem citar nomes.

Jair Bolsonaro ainda ressaltou não estar fazendo um desabafo e que, para ele, seria "muito fácil adotar uma política semelhante à que alguns estão adotando e suprimindo cada vez mais liberdades individuais, que parece que não são mais garantidas pela Constituição, em troca de continuar presidente sem dor de cabeça, apenas lamentando".

Mesmo dizendo que age em defesa das pessoas infectadas, lutando pela vida, ainda voltou a defender o tratamento precoce com medicamentos que não tem eficácia comprovada cientificamente e até os que têm a ineficácia já atestada pelos cientistas. "A acusação de negacionista, terraplanista, genocida não cola", exclamou o presidente.

** Texto com informações da Agência Folhapress