18 de junho de 2021
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Mato Grosso

Primo de governador, ex-secretário é preso

Paulo Taques foi secretário chefe da Casa Civil na gestão de Pedro Taques (PSDB). Ele foi preso nesta sexta-feira (4).

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Desembargador Orlando Perri, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), determinou nesta sexta-feira (4), a prisão preventiva do primo do governador, Pedro Taques (PSDB), e ex-secretário da Casa Civil, Paulo Taques, por envolvimento no esquema de grampos clandestinos operados pela Polícia Militar. O ex-secretário foi preso e levado para a sede da Polinter, em Cuiabá, onde deve prestar depoimento.

Perri comanda, no TJMT, as investigação sobre os grampos que funcionaram no Núcleo de Inteligência da PM em 2014 e 2015. Segundo a denúncia, mais de 100 pessoas tiveram as conversas grampeadas, entre elas políticos de oposição ao atual governo de Mato Grosso, advogados, médicos e jornalistas. Paulo Taques foi levado

Os telefones foram incluídos indevidamente em uma investigação sobre tráfico de drogas que teria o suposto envolvimento de policiais militares. O resultado dessa investigação, porém, não foi informado pelo governo até hoje.

Na decisão, o desembargador afirma que, mesmo em liberdade, o ex-secretário "vem buscando, de todas as formas, interferir diretamente na apuração dos fatos, mediante a utilização dos meios de comunicação, sobretudo pelo forte prestígio que ainda possui perante a imprensa de uma forma geral, ou, quiçá, de espaços decorrentes de suas relações com o governo".Paulo Taques, que é advogado, deixou o comando da Casa Civil em maio deste ano. À época, ele alegou que voltaria a se dedicar à advocacia e que reassumiria o papel de advogado pessoal de Pedro Taques, primo dele.

Além de Paulo Taques, estão presos por envolvimento no esquema o coronel Zaqueu Barbosa, os coronéis Evandro Lesco e Ronelson Barros, ex-chefe e ex-adjunto da Casa Militar, e o cabo o cabo Gerson Correa Junior. Eles estão foram presos entre maio e junho deste ano.

"Os mesmos argumentos aduzidos por ocasião da prisão preventiva de vários policiais militares também se aplicam ao caso em apreço, máxime porque há fortíssimos indícios da ligação entre Paulo Taques com o grupo criminoso formado para implantação de diversas escutas telefônicas ilegais", diz trecho da decisão.

Investigação

Conforme o Inquérito Policial Militar que embasou a denúncia do MPE, a PM criou um 'Núcleo de Inteligência' para fazer os pedidos de interceptações telefônicas à Justiça, usando como justificativa uma suposta investigação de tráfico de drogas envolvendo policiais. Os números de pessoas que não eram suspeitas foram incluídos, numa manobra ilegal conhecida como 'barriga de aluguel'.

O IPM aponta que os policiais implantaram de forma clandestina um sistema chamado 'Sentinela', com a finalidade de "vasculhar a intimidade de pessoas, utilizando como subterfúgio investigação de alvos criminosos". O inquérito diz o sistema foi usado ainda, em setembro e outubro de 2014, com finalidade política por causa do pleito daquele ano.

O escritório em Cuiabá onde funcionava o Sentinela foi desmontado no dia 8 de outubro de 2015, mesmo dia em que o então secretário de Segurança Pública (Sesp), promotor de Justiça Mauro Zaque, fez a primeira denúncia ao governador Pedro Taques (PSDB) sobre o esquema de arapongagem, por meio de um documento que foi protocolado no governo.