22 de maio de 2022
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FLERTES PRÉ-ELEITORAIS

PSB-MS posa de noiva desejada e tenta atrair só bons pretendentes

Ciranda de Ayache sugere sinalização agressiva em busca de garupa na majoritária

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Enquanto não se iniciam os procedimentos definidos no calendário eleitoral, as lideranças e forças partidárias de Mato Grosso do Sul aceleram contatos e buscam fechar entendimentos para construir seus projetos. Com as mudanças na legislação – entre elas a que proíbe coligações nas disputas proporcionais (para a Assembleia Legislativa e a Câmara dos Deputados) – os partidos de menor representação político-eleitoral tentam garantir na briga majoritária um espaço favorável à sua sobrevivência, por meio de acordo com agremiações mais fortes.

É o caso do Partido Socialista Brasileiro (PSB), que saiu das últimas eleições locais sem avançar. Não reelegeu seu único deputado federal, Eliseu Dionísio, e ainda ficou sem qualquer uma das 24 vagas da Assembleia Legislativa. E em 2018, nas eleições municipais, não foi além de uma única vitória, em Bonito, com o prefeito Josmail Rodrigues. Esses desempenhos não coadunam com o histórico de uma das forças tradicionais da política brasileira, inclusive com resultados bem mais gratificantes em outros estados.

Para reverter a situação, o presidente estadual do PSB, Ricardo Ayache, quer encontrar uma solução capaz de fazer da agremiação uma força diferenciada no Estado. A ideia é tirar o PSB do cubículo representativo em que está, no qual sua maior expressão representativa é o vereador e presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, Carlão Borges, e alçá-lo a postos mais elevados. Se são poucas atualmente as possibilidades concretas de eleger bom número de deputados estaduais e federais, ao menos resta a chance de composição em chapa majoritária, provavelmente indicando nomes para vice-governador ou suplência do Senado.

Ayache e Carlão Borges são as mais destacadas lideranças peessebistas em Mato Grosso do Sul. O vereador, com certeza, é nome carimbado para buscar uma cadeira de deputado estadual e contribuir com os votos da legenda. Sobra Ayache. Que não perde tempo para abrir caminho. Vem conversando com os principais pré-candidatos à sucessão. Além do MDB do ex-governador André Puccinelli, já esteve com outro ex-governador, Zeca do PT, e, recentemente, com os dirigentes do PSDB do governador Reinaldo Azambuja.

ROSE E TRAD 

Em princípio, faltam apenas duas conversas com nomes do elenco tido como mais competitivo do jogo eleitoral sulmatogrossense: a deputada federal Rose Modesto, que tem até abril para decidir se fica ou sai do ninho tucano, e o prefeito Marquinhos Trad (PSD). As demais opções não interessariam ao PSB, que ambiciona ocupar uma garupa melhor e mais segura para atender suas necessidades. O problema é que Ayache deixou em outras conversas uma espécie de expectativa positiva para o acordo, como é o caso do PT, que inclui o PSB entre seus aliados mais constantes, embora no pleito de 2018 tenha apoiado a candidatura de Reinaldo Azambuja.

O que se especula nos bastidores sobre a peregrinação de porta em porta que Ayache vem protagonizando é qual a contrapartida que o PSB pode oferecer a partidos como PSDB, MDB, PSD e PT. A rigor, eleitoralmente já não tem a mesma sedução que despertou em 2014, quando concorreu ao Senado e ficou em segundo lugar. Teve um desempenho surpreendente e animador: 23,09% dos votos (281.022). Perdeu para a favorita Simone Tebet (MDB), que fez 52,61% (ou 640.336 votos), e bateu o prefeito campo-grandense Alcides Bernal (204.262 votos). Vale registrar que, na época, Ayache era candidato do PT.

Hoje, mesmo reconhecido como excelente gestor e granjeando aplausos por sua atuação na presidência da Caixa de Assistência dos Servidores Públicos (Cassems), Ricardo Ayache precisa ser submetido a um novo teste de inserção político-eleitoral. Passaram-se oito longos anos desde sua boa experiência com as urnas. Esse período de afastamento da cena política e popular, limitando-se aos protocolos partidários, pode ter sido politicamente ruim para quem deseja dar sua contribuição valiosa no processo eleitoral, carreando prestígio e apoio em forma de votos para os eventuais aliados. Ao PSB, em síntese, não bastam a beleza e o charme para ser a desejada noiva que se oferece apenas aos bons e exigentes pretendentes.