05 de dezembro de 2021
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SUCESSÃO 2022

Puccinelli multiplica contatos e avança com pré-candidatura ao Governo de MS

Com direitos políticos mantidos, ex-governador quer conversar com todas as forças partidárias

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"Eu me tornei pré-candidato a pedido dos correligionários do MDB, dos amigos e de companheiros de outros partidos. E agora estamos tentando construir as condições necessárias para sair da fase de pré-candidato e chegar a candidato na convenção, já em um terreno bem mais amplo para abrigar as forças que querem seguir junto". 

A afirmação enfática do ex-governador André Puccinelli é apenas um dos sinais da confiança na decisão que tomou depois de relutar durante o período em que passou dedicando-se basicamente à famílias e outras ocupações pessoais. Ele não participa de disputas eleitorais desde 2014, quando encerrou seu segundo mandato à frente do governo de Mato Grosso do Sul.

Outro sinal eloquente da respiração de sua pré-candidatura é o intenso movimento na Rua Bevilacqua, Bairro São Bento, local onde funciona o escritório em que recebe diariamente visitantes de todas as regiões do Estado. A agenda de sua secretária tem, na média, 30 contatos diários. "Esta é uma coisa que me renova a motivação. É por essas pessoas, gente de todos os municípios e das diversas áreas econômicas e sociais que estou aqui, com esse projeto", vibra.  

DIREITOS POLÍTICOS  

A convicção nesse projeto não se abala nem mesmo com uma notícia publicada na terça-feira, 19, dando conta da decisão monocrática de um juiz da 1ª Vara Federal, que negou recurso da defesa do ex-governador e suspendeu seus direitos políticos num processo por improbidade administrativa, instaurado nas eleições de 2012, quando foi acusado de coagir ocupantes de cargos comissionados.

Esta decisão, porém, já perdeu o sentido, segundo seus advogados, porque Puccinelli foi absolvido dessa acusação em instância superior. Possui, inclusive, a certidão da Justiça Eleitoral atestando estar em pleno gozo de seus direitos políticos, podendo candidatar-se a qualquer cargo eletivo. Os advogados entraram com a ação recursal logo que a notícia foi publicada por veículos da imprensa de Campo Grande.

Ao destacar o avanço das conversas com interlocutores de diferentes forças sociais e políticas, Puccinelli ressalva que não basta o fato de liderar todas as pesquisas de intenção de voto. Pontua que uma candidatura, para se consolidar, precisa de outros elementos:

"Não se é candidato de si próprio, mas do seu e de outros partidos. Tem que fazer alianças, concessões, definir objetivos comuns entre diferentes. Estamos tentando construir essas condições para sair de pré e tornar-me candidato", diz. E condiciona: "Ou sou candidato ao governo ou continuo vovorista", uma expressão que criou para definir que ao deixar a política cuidaria somente da família para ser um motorista de seus netos.

MUDANÇAS NO CENÁRIO

O ex-governador afirma ser cedo ainda para tirar uma conclusão sobre as mudanças que estão acontecendo na política, como a nova legislação eleitoral e a fusão entre o DEM e o PSL. Limita-se a fazer alguns exercícios de avaliação sobre possibilidades, como a pulverização de candidaturas. Sobre o provável quadro de super-concorrência - com Eduardo Riedel (PSDB), Rose Modesto (em transição de partido), a ministra Tereza Cristina (pode ir para o PP) e o ex-governador Zeca do PT -, Puccinelli diz:

"É direito de todos ter o projeto de governar o Estado. E também de construir fortes e amplas alianças. Em política não se deve deixar de dialogar. Com todos, com lado direito, lado esquerdo, com setores ideologicamente diferentes, para eventualmente fazer as alianças. Tenho conversado com muitos até agora, mas pretendo conversar com todos".

Puccinelli foi indagado também sobre o que conservaria de bom e o que excluiria de ruim na atual administração do Estado. Preferiu uma resposta olímpica: "Todo mundo erra e acerta, todo mundo tem virtudes e tem defeitos. Nestes anos de Mato Grosso do Sul, todos os governadores tiveram seus méritos: Harry Amorim, Pedro Pedrossian, Wilson Martins, Ramez Tebet, Marcelo Miranda, Zeca do PT, estou incluído, o Reinaldo Azambuja. Enfim, cabe ao povo julgar quem fez mais e quem fez menos".

Para completar esse raciocínio, Puccinelli enfatiza: "É o povo que decide. A ele devemos obediência. Nos dias de hoje a saúde é o clamor maior da população, na capital e no interior. Em segundo lugar o emprego, um clamor imenso. Há famílias passando fome". E conclui: "Precisamos cuidar e acelerar o término da pandemia, para que a sociedade se livre dessa praga. Precisamos ser mais solidários".