18 de abril de 2021
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Quadro sucessório na capital elimina favoritismos e novas legendas podem ser protagonistas

PHS, PROS, Rede, PEN, PN, PPL e SD – estas são algumas siglas às quais os eleitores devem começar a prestar atenção. Hoje a maioria é praticamente desconhecida, mas em breve, já nas próximas eleições, boa parte dessas legendas poderá estar abrigando nomes que decidirão a sucessão campo-grandense. Os partidos mais conhecidos, mesmo tendo opções de maior visibilidade, sofrem o desgaste causado pela sucessão de escândalos e denúncias envolvendo suas principais lideranças.

O prefeito Alcides Bernal (PP) está entre os mais cotados para a disputa, juntamente com Marquinhos Trad (ainda no PMDB). O ex-governador e ex-prefeito peemedebista André Puccinelli não se decidiu. Outros partidos tradicionais que ensaiam lançar seus candidatos são o PT (de Zeca, Pedro Kemp, Marcos Alex e Cabo Almi); o PSB (de Ricardo Ayache); o PSDB (de Rose Modesto, Carlos Alberto Assis e João Rocha); e o PDT (de Felipe Orro e Dagoberto Nogueira, já que Beto Pereira está de saída). O pedido de prisão para 17 vereadores, formulado pelo Ministério Publico, desmanchou outras possibilidades, entre elas as que englobam nomes do PSD, PTB e PTdoB.

PEDRAS NO CAMINHO - Das pré-candidaturas expostas, as de Bernal, Marquinhos e Ayache são atualmente as de maior ressonância, porque estão declaradas, expostas, ao alcance  aos livres atiradores. Os problemas que os desafiam, contudo, são de tirar o sono e, evoluindo, podem transformar-se em medonhos pesadelos. Bernal, por exemplo, fez de seu afastamento o tempero da comiseração geral, que num primeiro momento o manteve no centro das atenções e, com seu retorno ao cargo, ajuda a encorpar o discurso da falta de condições para resolver os graves problemas que herdou de Gilmar Olarte, o vice que ele próprio escolheu.

Todavia, o prefeito exagera ao prolongar-se na própria vitimização e corre o risco de virar mais uma vez refém de seus próprios artifícios protelatórios. Assim, vai abrindo brechas que a cada dia se alargam e permitem a movimentação de vírus oportunistas inoculados por quem deseja vê-lo afogado nas cobranças da sociedade, à medida que não encontra ou não dá as soluções aos problemas mais angustiantes do Município. A maior vítima, no caso, é a população, que em grande maioria (270.927 votos, ou 62,5% do total da votação válida) apostou em Bernal como melhor resposta às demandas não atendidas por aqueles que o precederam. Se não cuidar melhor de sua gestão e continuar fazendo o mundo girar em torno de si mesmo, logo será sua própria ameaça, com o risco de ser lançado no mesmo inferno astral em que Olarte se debate hoje.

Marquinhos Trad, em princípio, é quem possui um terreno mais propício entre todos que anseiam decolar rumo a 2016. Não se sabe ainda qual sua autonomia de voo nos próximos meses e qual aeronave partidária pilotará. Há pouco tempo para decidir. O prazo para aproveitar a “janela” de mudança de partidos está chegando ao fim. Fora do PMDB, onde se criou e se fez líder, Marquinhos enfrentará obstáculos diferentes dos que encontra no partido comandado por Puccinelli. Duas vias lhe restam para manter vivo o projeto de disputar a Prefeitura: conquistar o apoio de Puccinelli para continuar no PMDB e ser o candidato; ou buscar novo abrigo partidário. As opções, que eram muitas, agora se resumem ao Rede, ao PTB ou PSD.

Livrar-se dos desgastes de seu partido anterior, o PT, procurar uma legenda de bem com a opinião publica, sem disputas internas tão convulsivas e levando consigo o acúmulo de prestígio que vem amealhando na vida publica foram razões justificadas para Rucardo Ayache ingressar no PSB. Garantida está sua candidatura a prefeito, porque, ao contrário do PT, não há barreira política, nem ideológica. Resta saber se em outra sigla o  presidente da Cassems e candidato ao Senado (o segundo mais votado em 2014) se verá livre do carimbo de petista e ainda se terá logrado êxito no objetivo de conservar e ampliar o apelo eleitoral que teve quando pediu voto nos palanques do PT. Terá também que encarar, no confronto eleitoral, o estigma que começa a ser lançado por ex-parceiros e correligionários petistas, que já o chamam de trânsfuga. Se colar, o impacto eleitoral não será nada promissor para os projetos dessa jovem liderança política.

FIM DE HEGEMONIAS – Os escândalos levantados por Ministério Publico, Polícia e Tribunal de Contas da União; as revelações que confirmam a participação delituosa de políticos e partidos em manobras para desviar verbas e controlar os mandatos; e a consequente derrubada de mitos, põem no chão as forças que vinham dominando o jogo do poder em Campo Grande.

As legendas de elite perdem o status e já não dão as cartas. Para que não sucumbam de vez, precisarão calçar as sandálias da humildade e, em condições iguais, recorrer aos partidos que até então chamavam de nanicos. Estes passam a ser protagonistas. Livres do desgaste e da falta de credibilidade dos “grandes”, sobem de nível no patamar dos entendimentos e ganham papéis decisivos de protagonismo na montagem das chapas majoritárias e proporcionais. A hegemonia deixou de ser restrita a clássicos, como no futebol, em que só meia dúzia dos concorrentes disputam os prêmios enquanto os demais apenas participam do torneio, no máximo como figurantes ou caroneiros.